Em 2026, as principais economias do mundo — Estados Unidos, União Europeia e China — apresentam cenários marcadamente distintos, com o crescimento robusto americano contrastando com a estagnação europeia e os desafios estruturais chineses, um panorama onde a influência das políticas econômicas de curto prazo se mostra surpreendentemente limitada.

Líderes políticos frequentemente reivindicam o crédito por um bom desempenho econômico ou buscam reformas frenéticas diante de dificuldades. Contudo, em um artigo para o Project Syndicate, Daniel Gros, em 8 de janeiro de 2026, argumenta que medidas políticas de curto prazo terão pouco impacto sobre as forças que moldam as perspectivas econômicas 2026 das grandes economias globais, que já seguem trajetórias predefinidas por fatores mais profundos.

O cenário macroeconômico global, embora resiliente, exibe uma expansão contínua, mas divergente, com o ano de 2026 focado nos resultados das tendências observadas em 2025, como a inflação e as políticas tarifárias. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) projeta uma desaceleração moderada do crescimento global, de 3,2% em 2025 para 2,9% em 2026, indicando uma economia mundial ainda frágil.

Desempenho divergente e as perspectivas econômicas 2026

Os Estados Unidos continuam a ser um motor de crescimento, com previsões de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 2% para 2026. A Fitch, por exemplo, elevou suas projeções de PIB para os EUA em 2026 para 2%, impulsionadas por um consumo robusto e gastos públicos. A inflação no país é projetada para ficar entre 2,8% e 3,2%, com o investimento em inteligência artificial (IA) emergindo como um significativo motor de crescimento. No entanto, sinais de arrefecimento no mercado de trabalho podem influenciar o consumo das famílias.

Em contraste, a União Europeia parece presa em um equilíbrio de baixo crescimento, com a recuperação econômica até 2026 sendo consideravelmente mais fraca do que as observadas após crises anteriores, como a da Zona do Euro e a pandemia. Países como França enfrentam instabilidade e dívida crescente, enquanto Alemanha e Itália se aproximam da recessão, arrastando as perspectivas para todo o bloco. O Banco Central Europeu (BCE) prevê um crescimento fraco de aproximadamente 1% para 2025-2026, apesar de uma inflação próxima de 2%.

A China, por sua vez, deve manter uma resiliência notável, com a economia projetada para expandir cerca de 5% em 2026, alinhada às metas governamentais. Apesar disso, o país enfrenta desafios estruturais profundos, incluindo o envelhecimento demográfico, a queda na produtividade marginal do capital e o excesso de capacidade industrial. O modelo de crescimento chinês prioriza a oferta em detrimento da demanda, resultando em um consumo interno persistentemente fraco, embora haja esforços para impulsionar o consumo e estabilizar o mercado imobiliário.

Onde a política encontra seus limites

A análise da Project Syndicate sublinha que, para as perspectivas econômicas 2026, as políticas de curto prazo têm um impacto limitado. Isso ocorre porque as economias globais estão lidando com desafios estruturais arraigados e forças macroeconômicas de longo prazo. Nos EUA, por exemplo, apesar das políticas de expansão fiscal e restrições comerciais, a resiliência vem de fatores mais profundos. Na Europa, a estagnação é reflexo de problemas como o aumento dos déficits fiscais e a dívida pública em nações-chave, que exigem mais do que ajustes superficiais.

Para a China, o desequilíbrio entre oferta e demanda e a necessidade de reestruturação do setor imobiliário são questões que a política busca endereçar, mas cujos resultados não são imediatos. Neil Shearing, economista-chefe da Capital Economics, observa que, apesar dos compromissos dos formuladores de políticas, o desequilíbrio continuará sendo uma característica marcante da economia chinesa em 2026. A complexidade desses desafios sugere que as tendências de crescimento e estagnação já estão em grande parte definidas por dinâmicas internas e globais que transcendem a capacidade de manobra de políticas pontuais.

As perspectivas econômicas 2026 indicam um cenário global de resiliência, mas com trajetórias divergentes e desafios persistentes. A limitada capacidade da política econômica de curto prazo para alterar esses rumos exige uma reavaliação das abordagens, focando em reformas estruturais e adaptações a longo prazo. O mundo entra em 2026 em uma travessia, onde a crise deixa de ser episódica e passa a organizar o funcionamento do sistema global, testando a capacidade de governos e sociedades de não naturalizar a regressão.