O cenário macroeconômico global, marcado pela crescente tensão entre o ex-presidente Donald Trump e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, está redefinindo o comportamento dos investidores em janeiro de 2026. Em meio a essa instabilidade política e econômica, Bitcoin e moedas de privacidade emergem como ativos de destaque, registrando um notável rali e consolidando seu papel como refúgios de valor.

A disputa, que se arrasta desde o final de 2025, centra-se nas pressões de Trump sobre o Federal Reserve para influenciar a política monetária, desafiando a independência do banco central e gerando incerteza nos mercados tradicionais. Analistas apontam que a possibilidade de uma Suprema Corte ampliar o poder presidencial para destituir funcionários do Fed intensifica a preocupação com a autonomia da política monetária.

Essa conjuntura impulsiona o capital para ativos descentralizados, onde a interferência governamental é minimizada. O Bitcoin, negociado acima de US$ 90 mil em janeiro de 2026, tem demonstrado uma resiliência notável, mantendo-se firme mesmo diante de choques geopolíticos e desvalorização de moedas fiduciárias.

O Bitcoin como ativo de proteção global

Historicamente visto como um ativo de risco, o Bitcoin tem consolidado sua posição como um “ativo de proteção global” em 2026, uma narrativa reforçada pela volatilidade política e econômica. Relatórios indicam que, desde 2024, as quedas do Bitcoin em relação às máximas históricas nunca superaram 30%, um contraste marcante com correções superiores a 60% em ciclos anteriores.

Essa maturidade, impulsionada pela institucionalização do setor e pelo crescimento dos ETFs de Bitcoin, sugere que a criptomoeda se comporta cada vez menos como uma negociação de pequena capitalização e mais como um hedge macro global. A gestora 21Shares, por exemplo, projeta que o Bitcoin pode até atingir um novo recorde de preço ao longo deste ano.

Em um ambiente onde a independência do Federal Reserve é questionada e o déficit fiscal para financiar gastos de defesa atinge trilhões de dólares, a busca por alternativas ao sistema financeiro tradicional se intensifica. O Bitcoin, com sua natureza descentralizada e oferta limitada, oferece uma proteção contra a inflação e a instabilidade sistêmica, atraindo tanto investidores de varejo quanto institucionais, como MicroStrategy e Metaplanet, que continuam suas estratégias de acumulação agressiva.

Moedas de privacidade ganham força em tempos de escrutínio

Além do Bitcoin, as moedas de privacidade, como Monero (XMR) e Zcash (ZEC), estão experimentando um ressurgimento significativo. Em 2025, essas criptomoedas dominaram o mercado, com o Monero subindo novamente acima de US$ 400 e o Zcash registrando um impressionante ganho de 817%, superando a marca de US$ 500.

Essa ascensão reflete uma crescente demanda por anonimato em transações financeiras, especialmente em um cenário de maior escrutínio governamental e tensões geopolíticas. A a16z crypto, braço de criptomoedas da Andreessen Horowitz, destaca a privacidade como uma das principais tendências para 2026, argumentando que redes focadas em privacidade terão forte potencial para reter usuários que valorizam o anonimato.

A capacidade dessas moedas de oferecer transações confidenciais e resistir à vigilância se torna um diferencial crucial, transformando a privacidade em uma infraestrutura básica do ecossistema cripto. Projetos como ZKsync e Stellar estão construindo essa infraestrutura, com foco em conformidade e escalabilidade, indicando que a privacidade não apenas protege os usuários, mas também cria barreiras econômicas para os concorrentes.

A contínua escalada do conflito entre Donald Trump e Jerome Powell, com suas implicações para a política monetária e a estabilidade econômica, provavelmente solidificará ainda mais o papel do Bitcoin e das moedas de privacidade no portfólio dos investidores. À medida que o mercado de criptomoedas amadurece e se integra mais profundamente ao sistema financeiro global, a busca por ativos resilientes e descentralizados tende a se intensificar, redefinindo as estratégias de investimento para o futuro.