A BitGo Holdings, renomada custodiante de ativos digitais, protocolou uma declaração de registro S-1 junto à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) para uma oferta pública inicial (IPO) de suas ações ordinárias Classe A. A empresa busca levantar até US$ 201 milhões, com as ações avaliadas entre US$ 15 e US$ 17 cada. Este movimento estratégico visa uma avaliação de mercado que pode atingir até US$ 1,96 bilhão, listando a empresa na New York Stock Exchange (NYSE) sob o ticker “BTGO”.

A decisão de abrir capital ocorre em um momento de crescente demanda institucional por serviços de custódia de criptoativos, impulsionada por um mercado de IPOs em recuperação nos EUA. Goldman Sachs e Citigroup atuarão como coordenadores líderes da oferta, sublinhando a crescente aceitação de provedores de infraestrutura cripto por parte das finanças tradicionais.

Fundada em 2013, a BitGo consolidou-se como um pilar essencial na segurança e gestão de ativos digitais, atendendo a clientes institucionais em mais de 100 países. A empresa demonstrou um crescimento financeiro robusto, reportando uma receita de US$ 4,19 bilhões em 2024, um aumento de quase quatro vezes em relação a 2023. Para os primeiros nove meses de 2025, a BitGo registrou uma receita de US$ 10 bilhões e um lucro líquido de US$ 8,1 milhões, indicando uma forte trajetória de crescimento. A empresa também obteve uma aprovação condicional do Office of the Comptroller of the Currency (OCC) em dezembro de 2025 para operar como um banco fiduciário nacional, o que reforça sua credibilidade regulatória e posição no mercado.

Avanços regulatórios e crescimento institucional

A aprovação do OCC para a BitGo Trust Company se converter em um banco fiduciário nacional, operando como BitGo Bank & Trust, representa um marco significativo para a integração de empresas de cripto no sistema bancário federal dos EUA. Essa medida permite que a BitGo ofereça serviços fiduciários e de custódia em todo o país, diferenciando-a de muitos concorrentes ao focar em conformidade e proteção de ativos, em vez de apenas atividades de trading.

No primeiro semestre de 2025, os ativos sob gestão da BitGo atingiram US$ 90,3 bilhões, distribuídos entre 4.621 clientes, refletindo a crescente demanda institucional por soluções de custódia qualificadas. No entanto, o último trimestre de 2025 viu uma queda nos ativos na plataforma para US$ 81,6 bilhões, em meio a uma fraqueza mais ampla do mercado. A empresa também adotou uma estrutura de ações de classe dupla, onde as ações da Classe B, detidas por insiders como o CEO Mike Belshe, conferem 15 votos por ação, garantindo o controle da fundação e a isenção de certas regras da NYSE.

O futuro da custódia de ativos digitais

A oferta pública da BitGo não apenas provê capital substancial para expansão, mas também serve como um teste crucial para a confiança dos investidores dos EUA na infraestrutura cripto, após um período de volatilidade nos ativos digitais. O sucesso deste IPO pode influenciar tendências de investimento e o crescimento do setor nos próximos anos, estabelecendo um importante precedente para a avaliação de empresas de segurança de criptoativos no mercado público.

A listagem da BitGo na NYSE, juntamente com planos de outras empresas cripto como Kraken e Circle para abrirem capital, sinaliza uma contínua maturação do setor e sua integração nos mercados financeiros tradicionais. A capacidade da BitGo de manter a lucratividade e expandir sua base de clientes será fundamental para o seu desempenho pós-IPO, especialmente considerando a concentração de aproximadamente 80% de seus ativos em cinco tokens, com o Bitcoin respondendo por 42,8% do total.