A Ledger, renomada fabricante de carteiras de hardware e desenvolvedora de software para criptoativos, anunciou na quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, o lançamento de um recurso de “rendimento BTC” em sua plataforma Ledger Wallet. Esta novidade, resultado de uma colaboração estratégica com a Lombard e a Figment, visa abrir novas avenidas para os detentores de Bitcoin buscarem retornos sobre seus ativos digitais.

A funcionalidade, já disponível na seção “Discover” da Ledger Wallet, busca preencher uma lacuna no ecossistema Bitcoin. Historicamente, as opções para que os detentores de BTC gerassem retornos sem a necessidade de vender ou movimentar seus ativos eram limitadas. A iniciativa representa um esforço para ativar a oferta de Bitcoin que se encontra inativa na blockchain, estimada em apenas 1,5% do total, apesar de uma avaliação de mercado robusta.

Essa inovação permite que os usuários da Ledger interajam de forma mais ativa com o universo das finanças descentralizadas (DeFi) utilizando o Bitcoin, mantendo a segurança que caracteriza as hardware wallets. Jean-Francois Rochet, vice-presidente executivo de serviços ao consumidor da Ledger, enfatizou que a escala da empresa é ideal para abordar a fragmentação existente no ecossistema do Bitcoin.

Como o rendimento BTC funciona na Ledger

O novo recurso de rendimento para Bitcoin é implementado por meio de integrações com terceiros, e não diretamente na infraestrutura nativa da carteira. Os usuários terão acesso ao LBTC da Lombard, um token de rendimento lastreado em BTC e de nível institucional, projetado para uso em todo o ecossistema DeFi. Este token gera rendimento denominado em BTC ao apoiar a validação de rede via Figment, utilizando o Babylon Bitcoin Staking Protocol.

É crucial notar que este sistema não envolve o staking na camada base do Bitcoin, que não suporta essa funcionalidade. Em vez disso, a operação se baseia em mecanismos de segurança econômica lastreados em Bitcoin e conectados a outras redes. Para participar, os usuários depositam Bitcoin (BTC) via Ledger Wallet, que é então convertido em tokens LBTC. A implementação da Lombard requer a assinatura de duas transações: uma mensagem Ethereum para especificar a conta de destino do LBTC e uma transferência de Bitcoin para um endereço da Lombard.

Jacob Phillips, cofundador da Lombard, destacou a importância desta integração para trazer o Bitcoin para a blockchain, considerando a vasta base de usuários da Ledger. Guillaume Galuz, líder de produto da Figment, assegurou que a colaboração estende a infraestrutura de rendimento da Figment ao BTC sem, em sua visão, comprometer a segurança do ativo.

Potencial e ressalvas para investidores

A oferta de rendimento para Bitcoin pela Ledger, em conjunto com Lombard e Figment, visa proporcionar aos usuários a capacidade de gerar retornos enquanto mantêm sua exposição ao Bitcoin. O LBTC é descrito como totalmente líquido, 1:1 lastreado em BTC, com recompensas auto-compostas e acesso a DeFi entre cadeias. A Figment, que já possui uma parceria prévia com a Ledger para staking de outros ativos Proof-of-Stake desde 2022, expande agora sua atuação para o principal criptoativo do mercado.

Apesar do entusiasmo em torno da novidade, a Ledger não divulgou detalhes sobre as taxas de rendimento esperadas, os perfis de risco associados ou a disponibilidade jurisdicional do serviço. Estas informações são fundamentais para que os investidores possam avaliar adequadamente as oportunidades e os riscos envolvidos. Como em qualquer investimento em criptoativos, a volatilidade e as potenciais mudanças regulatórias são fatores que podem influenciar o valor e o retorno do BTC Yield.

A iniciativa da Ledger representa um passo significativo na evolução do uso do Bitcoin, transformando-o de um ativo puramente passivo para um que pode gerar rendimentos dentro de um ambiente DeFi. Resta aos usuários e ao mercado observar como esta nova funcionalidade se desenvolverá e quais serão os impactos de longo prazo para a liquidez e a utilidade do Bitcoin no cenário das finanças descentralizadas.