O ecossistema das criptomoedas vive um momento de inflexão, onde a busca incessante por novas blockchains de camada base começa a dar lugar a um foco mais maduro. Segundo a influente firma de capital de risco Andreessen Horowitz (a16z), a próxima fase das criptomoedas transcende a mera criação de novas redes, voltando-se para o desenvolvimento de aplicações robustas e infraestruturas que aprimorem a experiência do usuário e a utilidade prática da tecnologia blockchain. Esta perspectiva, ecoada em publicações como The Block, sugere uma mudança estratégica para o setor.
Historicamente, o mercado cripto foi impulsionado pela inovação em protocolos fundamentais, com o surgimento de inúmeras blockchains prometendo escalabilidade, segurança e descentralização. Contudo, com a consolidação de redes como Ethereum, Solana e outras soluções de camada 2, a atenção se volta para o que pode ser construído sobre essas bases já estabelecidas. A a16z argumenta que as ferramentas e o capital agora se direcionam para a construção de valor real para o usuário final, afastando-se da competição por quem detém a melhor arquitetura de base.
Esse amadurecimento reflete uma evolução natural do ciclo tecnológico. Assim como a internet passou da fase de criação de protocolos fundamentais para o desenvolvimento de aplicações web que transformaram a vida cotidiana, as criptomoedas e a Web3 parecem seguir um caminho similar. O desafio atual não é mais apenas criar a “próxima internet”, mas sim construir os “navegadores” e “aplicativos” que a tornarão útil e acessível a bilhões de pessoas.
O foco em aplicações e infraestrutura Web3
A visão da a16z para a próxima fase das criptomoedas enfatiza o investimento em camadas de infraestrutura que facilitam o desenvolvimento, como soluções de escalabilidade (rollups, sharding), oráculos, e ferramentas de identidade descentralizada. Além disso, há um forte direcionamento para aplicações que resolvam problemas reais ou criem novas experiências significativas. Exemplos incluem finanças descentralizadas (DeFi) mais eficientes, jogos blockchain com economias internas sustentáveis, e redes sociais descentralizadas que devolvem o controle de dados aos usuários. Um relatório da própria a16z Crypto de 2024 destaca a importância de investir em projetos que construam sobre a infraestrutura existente, em vez de reinventá-la.
A adoção em massa, um objetivo frequentemente citado no espaço cripto, depende intrinsecamente da qualidade e da usabilidade dessas aplicações. Não basta ter uma tecnologia revolucionária; é preciso que ela seja intuitiva e agregue valor perceptível. O mercado começa a priorizar projetos que demonstrem um claro “product-market fit”, ou seja, que atendam a uma demanda real do mercado com uma solução eficaz. Dados recentes do Dune Analytics mostram um crescimento constante no número de usuários ativos em aplicações DeFi e de jogos, sinalizando a tração dessas categorias.
O papel da a16z e o futuro do investimento cripto
Como uma das mais proeminentes firmas de venture capital no espaço cripto, a perspectiva da a16z tem um peso considerável, influenciando tendências de investimento e o direcionamento de talentos. A empresa tem sido uma investidora ativa em projetos que se alinham a essa tese, aportando capital em empresas que desenvolvem ferramentas para desenvolvedores, protocolos de middleware e aplicações de consumo. Essa estratégia reflete uma crença de que os retornos mais significativos virão da camada de aplicação e da infraestrutura que a suporta, e não mais das guerras de protocolos de camada 1.
Para investidores e empreendedores, a mensagem é clara: o foco deve ser na construção e na experiência do usuário. O mercado de criptoativos, que movimentou trilhões de dólares nos últimos anos, está amadurecendo, e a próxima fase das criptomoedas exigirá soluções que vão além da pura inovação tecnológica. A capacidade de criar produtos que ressoem com um público mais amplo será o verdadeiro diferencial, impulsionando a utilidade e a adoção em larga escala.
A transição para a próxima fase das criptomoedas, focada em aplicações e infraestrutura, marca um ponto de virada crucial para o setor. Embora a inovação nas blockchains de base continue, a ênfase agora recai sobre a construção de experiências significativas para o usuário. Este movimento, liderado por visões como a da a16z, promete desbloquear o verdadeiro potencial da Web3, transformando a promessa tecnológica em valor tangível para um público global. O sucesso dependerá da capacidade da comunidade de desenvolvedores e investidores de priorizar a usabilidade e a relevância prática acima da complexidade técnica.








