A recente recuperação do preço do Bitcoin, que viu a criptomoeda se mover de cerca de US$ 90.000 para quase US$ 98.000 no início de janeiro de 2026, gerou um otimismo cauteloso no mercado. No entanto, a empresa de análise on-chain CryptoQuant sugere que este movimento pode ser, na verdade, um bear market rally bitcoin, um repique temporário dentro de uma tendência de baixa mais ampla.

Essa análise vem em um momento crucial, onde investidores buscam discernir se a alta representa uma verdadeira reversão de tendência ou uma armadilha. A perspectiva da CryptoQuant, baseada em dados fundamentais e métricas on-chain, oferece uma visão crítica sobre a sustentabilidade da valorização atual, ecoando preocupações levantadas desde o final de 2025.

Um bear market rally é caracterizado por um aumento significativo nos preços dos ativos em meio a um mercado de baixa predominante. Tais repiques podem ser fortes, mas geralmente são seguidos por outra onda de vendas que empurra os preços para baixo novamente, sem o suporte de fundamentos robustos ou um volume de negociação sustentável.

A análise da CryptoQuant sobre a demanda e os indicadores técnicos

A CryptoQuant, conforme relatado por diversas publicações, incluindo a Morningstar e a Phemex, aponta para sinais preocupantes que indicam um cenário de mercado de baixa. Julio Moreno, chefe de pesquisa da CryptoQuant, classificou a recente valorização como um “bear-market rally”, notando que o Bitcoin subiu 21% desde 21 de novembro, após uma queda de 19% que confirmou um mercado de baixa ao romper a média móvel de 365 dias.

Os dados da empresa revelam uma mudança na demanda institucional, que passou da acumulação para a distribuição, com a demanda on-chain mostrando sinais de exaustão e caindo abaixo de sua tendência de longo prazo desde o início de outubro. Além disso, os ETFs spot de Bitcoin nos EUA tornaram-se vendedores líquidos no quarto trimestre de 2025, descarregando 24.000 BTC.

Ainda mais alarmante, a CryptoQuant observa que grandes detentores, com entre 100 e 1.000 BTC, estão crescendo abaixo da tendência, um padrão que lembra o período anterior ao mercado de baixa de 2022. A criptomoeda também rompeu abaixo de sua média móvel de 365 dias, um nível que historicamente atuou como resistência durante ralis de mercado de baixa.

Paralelos históricos e o caminho à frente para o Bitcoin

A análise da CryptoQuant traça paralelos com o ciclo de 2022, onde os ralis falharam no mesmo nível da média móvel de 365 dias. A fraca demanda no mercado à vista, os baixos influxos em ETFs e o aumento dos depósitos de Bitcoin nas exchanges reforçam a ideia de que o rebote atual é um “rebote técnico dentro de um mercado de baixa”.

Embora o sentimento do investidor tenha melhorado, os indicadores-chave ainda apontam para uma fase de mercado de baixa. A CryptoQuant estima níveis de suporte perto de US$ 56.000 e US$ 70.000, sugerindo potenciais patamares para novas quedas se a tendência de baixa se consolidar.

Contrariamente, alguns dados on-chain, como a queda de 30% no open interest de derivativos de Bitcoin, indicam um processo de desalavancagem que historicamente precede fundos de mercado e recuperações mais saudáveis, o que poderia sinalizar uma estrutura de mercado “mais limpa” para o futuro. Além disso, há relatos de que as “baleias” (grandes detentores) voltaram a acumular BTC após uma venda significativa, embora investidores de médio porte estejam reduzindo sua exposição.

Apesar desses sinais mistos, a cautela prevalece. A capacidade do Bitcoin de ultrapassar a média móvel de 365 dias, atualmente em torno de US$ 101.448, será crucial para determinar uma mudança de tendência mais duradoura. A ausência de uma participação de varejo mais clara e o volume de negociação ainda contido são fatores que mantêm os analistas da CryptoQuant em alerta, sugerindo que o mercado ainda não está fora do período de baixa.