A transição energética nos Estados Unidos sofreu um revés significativo em 2025, com o cancelamento de projetos energia limpa EUA que totalizam mais de 32 bilhões de dólares. Essa paralisação afeta diversas iniciativas, desde fábricas de baterias até plantas de veículos elétricos, e sinaliza uma mudança preocupante na política federal.

Entre janeiro e novembro de 2025, mais de 50 grandes projetos foram abandonados ou reduzidos, conforme dados da E2, uma organização apartidária que monitora o setor. O cenário mostra que, enquanto algumas empresas ainda anunciam novos empreendimentos, os investimentos perdidos superam os novos em uma proporção de três para um, evidenciando a fragilidade do momento para a economia de energia limpa americana.

Essa onda de cancelamentos não se limita a um único tipo de projeto, mas abrange um espectro amplo da infraestrutura verde, com a maior parte das baixas concentrada em fábricas. A retirada de apoio federal e a mudança no ambiente político são apontadas como os principais catalisadores dessa retração, que coloca em xeque o ritmo da descarbonização e a competitividade do país no setor.

O impacto econômico dos projetos cancelados

A perda de mais de 32 bilhões de dólares em investimentos representa um golpe considerável para a economia americana, especialmente para o setor de empregos sustentáveis. Segundo a E2, citada pelo portal www.fastcompany.com, aproximadamente 40 mil postos de trabalho foram perdidos com o cancelamento desses projetos. A maioria dessas perdas ocorreu em distritos congressistas republicanos, que viram 37 grandes projetos serem descontinuados.

Exemplos concretos ilustram a dimensão do problema. Uma fábrica de baterias de 575 milhões de dólares em St. Louis, Missouri, que seria a primeira instalação de grande escala de fosfato de ferro-lítio (LFP) nos EUA, foi cancelada após a retirada de uma subvenção federal. Da mesma forma, uma nova planta de veículos elétricos da General Motors de 4,3 bilhões de dólares em Michigan está sendo reestruturada para produzir veículos a gasolina, e uma fábrica de baterias da Stellantis de 3,2 bilhões de dólares em Illinois também foi cancelada, conforme detalhado pela Fast Company.

A indústria de baterias, crucial para a eletrificação dos transportes e o armazenamento de energia renovável, foi particularmente atingida. Além dos casos mencionados, uma fábrica de 2,6 bilhões de dólares na Geórgia, planejada por um fabricante norueguês, também foi abandonada. A interrupção desses investimentos não apenas impede a criação de empregos e a inovação local, mas também compromete a capacidade dos EUA de competir globalmente na cadeia de suprimentos de energia limpa, conforme análises de especialistas em política industrial, como as divulgadas pelo Brookings Institution.

O cenário político e o futuro da transição energética

A reversão da política federal contra a energia limpa é um fator preponderante nos recentes cancelamentos. Michael Timberlake, diretor de pesquisa da E2, enfatiza que a escala das paralisações demonstra a fragilidade do momento para a economia de energia limpa americana. Até as eleições de 2024, os anúncios mensais de investimento consistentemente excediam 1 bilhão de dólares; no entanto, em novembro de 2025, esse total caiu para 550 milhões de dólares, menos do que o valor de um único projeto de bateria cancelado.

A incerteza política não apenas freia novos investimentos, mas também impede que muitos projetos sequer cheguem a ser anunciados. Timberlake adverte que os empregos e os investimentos que poderiam ter sido gerados em um ambiente político diferente jamais serão recuperados. Essa perda acumulada ao longo do tempo pode representar um atraso significativo para os EUA em comparação com o restante do mundo, que avança em suas metas de descarbonização.

O Departamento de Energia dos EUA, em relatórios recentes sobre o futuro da manufatura verde, tem destacado a importância de políticas estáveis e de longo prazo para impulsionar a inovação e a produção doméstica de tecnologias de energia limpa. A atual onda de cancelamento projetos energia limpa EUA sugere que, sem um compromisso político firme e consistente, o país corre o risco de perder sua posição de liderança e de não aproveitar plenamente os benefícios econômicos e ambientais da transição energética.

A paralisação de bilhões de dólares em projetos de energia limpa em 2025 nos EUA é mais do que uma estatística. Representa a materialização de um risco político que freia o avanço tecnológico, a criação de empregos e a resiliência climática. A recuperação do ritmo perdido dependerá de um realinhamento estratégico e de um compromisso renovado com o futuro energético do país, sob pena de um atraso irreversível na corrida global pela sustentabilidade.