Projeções econômicas apontam que o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) deve encerrar 2025 com uma queda acumulada de 1,05%, marcando um cenário de deflação significativo. Essa retração é majoritariamente impulsionada pela desaceleração dos preços ao produtor, especialmente o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que reflete a dinâmica dos custos na indústria e no agronegócio. Analistas preveem que a moderação nas commodities globais e o arrefecimento da demanda interna contribuirão para este movimento.
Historicamente conhecido por sua volatilidade, o IGP-M, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), exerce influência direta sobre contratos de aluguel e reajustes de serviços. A expectativa de uma queda do IGP-M em 2025, após anos de flutuações intensas, sugere um alívio para consumidores e empresas, que dependem do índice em suas negociações. Esse prognóstico contrasta com a recente trajetória de alta vista em períodos de forte pressão inflacionária global, evidenciando uma mudança de rumo na dinâmica de preços no atacado.
A composição do índice, onde o IPA detém cerca de 60% do peso total, torna-o particularmente sensível às variações nos preços de matérias-primas e produtos agrícolas. A perspectiva de deflação reflete uma cadeia produtiva que, ao que tudo indica, absorverá melhor os custos, repassando menos pressão inflacionária ao consumidor final. Este cenário sinaliza uma potencial estabilização ou mesmo redução nos custos de insumos para diversos setores da economia brasileira.
A força dos preços ao produtor e o desinflacionamento
A principal mola propulsora para a projeção de queda do IGP-M em 2025 reside na performance do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA). Este componente abrange desde produtos agrícolas brutos, como milho e soja, até bens intermediários industriais, como minério de ferro e produtos químicos. A desaceleração observada nos preços das commodities no mercado internacional, aliada a um câmbio mais estável, tem sido fundamental para arrefecer a pressão de custos na origem da cadeia produtiva, conforme apontado por relatórios econômicos.
Um estudo recente da FGV IBRE destacou como a dinâmica dos preços agrícolas e industriais impacta o IGP-M, mostrando que a queda de itens como minério de ferro e soja no mercado global tem um efeito cascata. Além disso, a capacidade produtiva interna, sem gargalos significativos, ajuda a manter a oferta aquecida, mitigando aumentos. “A tendência de desinflação no atacado é um sinal de que os choques de oferta que tanto impactaram a economia nos últimos anos estão se dissipando”, explica o economista-chefe da Capital Economics, William Jackson, em análise sobre o cenário de inflação na América Latina, publicada no Financial Times.
Implicações da queda do IGP-M para a economia brasileira
Uma queda do IGP-M em 2025 de 1,05% traria implicações multifacetadas para a economia. Para os contratos de aluguel, por exemplo, que frequentemente utilizam o índice como base de reajuste, a deflação significaria uma redução nos valores ou, no mínimo, a ausência de aumento, beneficiando locatários e potencialmente estimulando o mercado imobiliário. Empresas com contratos indexados ao IGP-M também veriam seus custos reajustados para baixo, o que pode aliviar margens e, em tese, impulsionar investimentos.
Essa desinflação no atacado pode abrir espaço para uma política monetária mais flexível por parte do Banco Central do Brasil, caso o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também mostre sinais de convergência para a meta. O Boletim Focus, do Banco Central do Brasil, tem monitorado de perto as expectativas de inflação, e um IGP-M negativo pode contribuir para um ambiente de taxas de juros mais baixas, favorecendo o crédito e o consumo. No entanto, a divergência persistente entre IGP-M e IPCA ainda representa um desafio para a comunicação e a eficácia da política monetária, como abordado por especialistas em um webinar do Ipea.
O cenário de deflação do IGP-M em 2025, impulsionado pela moderação nos preços ao produtor, sugere uma fase de maior estabilidade econômica e potencial alívio para diversos agentes. Embora a queda de 1,05% seja uma projeção, ela reflete tendências claras de desinflação na origem da cadeia produtiva e nos mercados de commodities. Os desdobramentos futuros dependerão da manutenção da estabilidade cambial, da trajetória dos preços internacionais e da evolução da demanda interna, que moldarão o ambiente para a inflação e as decisões de política econômica nos anos vindouros.












