O mercado de inteligência artificial (IA) vive um momento de euforia e incerteza, com inovações nos setores de energia e finanças atuando como catalisadores para sua rápida expansão. Enquanto investimentos bilionários impulsionam o avanço tecnológico, especialistas alertam para a formação de uma bolha, reminiscentes de ciclos de supervalorização anteriores.
A Organização das Nações Unidas (ONU) destacou, em janeiro de 2026, que os rápidos avanços em IA e tecnologias de energia limpa estão estimulando novas ondas de investimento e inovação global. Contudo, o relatório da ONU também aponta que esses investimentos estão concentrados em poucas economias desenvolvidas, aprofundando desigualdades e criando temores de uma bolha financeira com potencial de se espalhar pela economia global.
A euforia atual reflete uma corrida por infraestrutura sem precedentes. O investimento total em IA já soma US$ 332 bilhões em 2025, com despesas de capital parecendo desproporcionais às receitas previstas. Essa dinâmica gera um ciclo de investimentos que, embora estimule a inovação, também levanta sérias questões sobre a sustentabilidade e os riscos inerentes a esse crescimento acelerado.
O consumo energético e a escalada de custos da IA
A inteligência artificial exige uma demanda colossal por energia, principalmente para alimentar os vastos data centers que sustentam suas operações. A Agência Internacional de Energia (AIE) projeta que o consumo global de eletricidade desses centros de dados atingirá cerca de 600 terawatts-hora (TWh) em 2026, um aumento de 14% em relação a 2025. Este crescimento exponencial na demanda energética é um dos principais fatores inflacionários no custo da IA.
A corrida por infraestrutura de IA, que transcende a aquisição de chips e se estende à construção de data centers e ao fornecimento de energia confiável, tornou-se um foco central. Empresas como a Meta planejam expandir agressivamente sua capacidade energética, visando construir dezenas de gigawatts nesta década. Essa expansão, no entanto, enfrenta gargalos como limitações de energia, riscos regulatórios e até resistência local, que restringem novos projetos.
Apesar dos desafios, a IA também oferece soluções para otimizar o setor energético, contribuindo para a sustentabilidade. Algoritmos de aprendizado de máquina podem prever a demanda de energia com precisão, otimizar o uso em edifícios e indústrias, e acelerar o desenvolvimento de fontes renováveis. Contudo, o alto consumo de energia e água para resfriamento dos data centers continua sendo uma preocupação ambiental significativa.
O papel das finanças na supervalorização da IA
O setor financeiro tem sido um dos mais ávidos adotantes da IA, impulsionando um salto nos investimentos globais na tecnologia de US$ 35 bilhões em 2023 para uma projeção de US$ 126,4 bilhões em 2028. A IA já se tornou a espinha dorsal de processos cruciais como a detecção de fraudes em tempo real, a personalização de serviços financeiros e a automação de análises de valuation, tornando-as mais rápidas e precisas.
Apesar dos benefícios claros, o mercado financeiro exibe sinais de superaquecimento. Investimentos maciços, muitas vezes circulares entre grandes empresas de tecnologia, inflacionam as avaliações sem gerar retornos proporcionais para o mercado como um todo. Uma pesquisa do BofA Global Research em 2025 revelou que 54% dos investidores acreditam que as ações de empresas de IA estão em uma bolha. O Banco da Inglaterra, em outubro de 2025, alertou que os mercados globais poderiam sofrer uma correção acentuada se o otimismo em relação à IA diminuísse.
Para 2026, analistas do Morgan Stanley preveem que os custos de chips e energia continuarão a subir, contribuindo para a inflação e potencialmente afetando as ações de IA. A expectativa de que empresas como SpaceX, OpenAI e Canva realizem IPOs em 2026, com valuations altíssimos, reflete a contínua febre de investimentos, mesmo diante dos temores de uma bolha. Esse cenário exige cautela e uma análise aprofundada dos fundamentos das empresas, para além da euforia.
A sinergia entre as inovações em energia e finanças está, inegavelmente, acelerando o desenvolvimento da inteligência artificial. No entanto, essa interconexão também amplifica os riscos de uma bolha da IA, com a demanda energética crescente e os investimentos financeiros agressivos criando um ciclo de valorização que desafia a sustentabilidade de longo prazo. O futuro da IA dependerá de um equilíbrio entre inovação, responsabilidade e uma avaliação realista de seu impacto econômico e ambiental.











