O ministro das Finanças do Japão manifestou apoio à integração de criptomoedas nas bolsas de valores do país, conforme reportagem recente. Esta sinalização reforça a ambição japonesa de se posicionar como um líder global no emergente cenário dos ativos digitais. A iniciativa sugere que desenvolvimentos como os fundos negociados em bolsa (ETFs) de criptomoedas, já populares nos EUA para proteção contra a inflação, poderiam em breve se materializar no mercado japonês, onde atualmente não há ETFs cripto domésticos disponíveis para traders locais.
Este posicionamento é parte de uma estratégia mais ampla do Japão para remodelar sua economia em torno da inovação e do crescimento sustentável. O governo tem trabalhado ativamente para desenvolver uma “estratégia nacional” para a economia digital na era Web3, considerada fundamental para a realização de uma sociedade digital avançada. A crescente base de usuários de criptomoedas no país, que quadruplicou nos últimos cinco anos para cerca de 7,88 milhões de contas ativas até agosto de 2025, sublinha a urgência e a relevância dessas mudanças.
Reformas regulatórias e fiscais que impulsionam o mercado
Para concretizar a visão de um mercado de ativos digitais robusto, o Japão está implementando reformas significativas. Uma das mais impactantes é a proposta de reclassificar os criptoativos sob a Lei de Instrumentos Financeiros e Câmbio (FIEA), alinhando-os com veículos de investimento tradicionais como ações e títulos. Essa mudança visa fortalecer a proteção do investidor e trazer maior clareza regulatória, consolidando a confiança no mercado de criptoativos.
Complementarmente, uma importante reforma tributária está em andamento, com previsão de entrada em vigor em 2026. Ela estabelece uma alíquota fixa de 20% sobre os ganhos de criptomoedas, uma redução drástica em relação à taxa máxima anterior de 55%. Além disso, a nova legislação permitirá que investidores carreguem perdas de negociações de cripto por até três anos, um benefício atualmente indisponível. Tais medidas são esperadas para atrair tanto investidores de varejo quanto institucionais, aumentando os volumes de negociação e impulsionando o crescimento de plataformas regulamentadas.
O cenário competitivo e a visão japonesa para Web3
A postura proativa do Japão também reflete um desejo de competir no cenário global de ativos digitais. Com o apoio governamental e as reformas regulatórias em curso, o país busca se estabelecer como um centro de inovação Web3, rivalizando com outras jurisdições como Hong Kong. O foco está em equilibrar a inovação com uma supervisão regulatória rigorosa, garantindo a estabilidade e a segurança do mercado.
O ministro das Finanças, Katsunobu Kato, já havia reconhecido em 2025 que as criptomoedas merecem um lugar em carteiras de investimento diversificadas, apesar de sua volatilidade, desde que um ambiente adequado seja estabelecido. A Agência de Serviços Financeiros (FSA) está na vanguarda dessas discussões, consultando especialistas para definir a direção das reformas e garantir que o Japão se mantenha na ponta da inovação financeira. A introdução de novos trustes de investimento e ETFs baseados em criptoativos, incluindo o já lançado ETF de XRP, demonstra o compromisso do país com essa visão.
A integração das criptomoedas nas bolsas de valores japonesas, apoiada pelo ministro das Finanças e impulsionada por um arcabouço regulatório e fiscal mais favorável, marca um passo decisivo para o Japão. Este movimento não só visa modernizar o setor financeiro do país, mas também solidificar sua posição como um centro estratégico para a inovação em ativos digitais no cenário global, conforme reportado inicialmente por The Block. As ações do governo japonês sinalizam uma era de maior aceitação e integração para as criptomoedas, com implicações significativas para investidores e o futuro da economia digital.












