Analistas reavaliam a MicroStrategy (MSTR) frente à volatilidade do Bitcoin. Embora notícias sugerissem um corte no preço-alvo para US$ 440 pelo TD Cowen, relatórios recentes da firma apontam perspectivas mais otimistas, com alvos superiores. O desempenho da empresa está diretamente ligado ao rendimento da criptomoeda.

A MicroStrategy é a maior detentora corporativa de Bitcoin, financiando aquisições com operações de software. Essa estratégia a tornou um veículo direto de exposição à criptomoeda. Sua avaliação reflete expectativas sobre o futuro do Bitcoin e a gestão desse alto risco.

A reavaliação dos preços-alvo da MicroStrategy reflete a complexidade do mercado cripto. As oscilações do Bitcoin, impulsionadas por fatores macroeconômicos, impactam o balanço da MSTR. Entender as perspectivas dos analistas é crucial para navegar nesse cenário volátil.

Analistas divergem sobre a valuation da MicroStrategy

Apesar de especulações sobre um corte, o TD Cowen tem mantido uma visão construtiva sobre a MicroStrategy. Em novembro de 2025, a firma projetou que a empresa poderia deter 815 mil Bitcoins até 2027, sustentando um preço-alvo de US$ 585 por ação.

Relatórios anteriores do TD Cowen, em julho de 2025, elevaram o preço-alvo para US$ 680, mantendo a recomendação de compra, citando o impulso notável da MSTR. Em dezembro do mesmo ano, o preço-alvo da firma estava em US$ 500,00.

Essa postura contrasta com outras análises mais cautelosas. A Clear Street, por exemplo, revisou seu preço-alvo para a MicroStrategy em janeiro de 2026, reduzindo-o de US$ 443 para US$ 268.

A justificativa para o ajuste da Clear Street incluiu pressupostos mais baixos para o preço do Bitcoin e o rendimento do tesouro. Isso sinaliza uma perspectiva de rendimento mais moderada para a empresa, sublinhando a complexidade de avaliar um ativo tão volátil.

A volatilidade do Bitcoin gera impactos diretos nos resultados da MicroStrategy. No quarto trimestre de 2025, a empresa registrou uma perda não realizada de US$ 17,44 bilhões, ligada à queda no valor de seu estoque de criptomoedas.

Contudo, o Bitcoin tem mostrado sinais de recuperação em janeiro de 2026, atingindo a máxima de US$ 95,4 mil. Analistas do BTG Pactual apontam que a superação de US$ 94 mil pode confirmar uma retomada da tendência de alta.

A estratégia de alavancagem e os riscos do Bitcoin

A estratégia da MicroStrategy de acumular Bitcoin, liderada por Michael Saylor, é vista como audaciosa para impulsionar o valor das ações. A companhia financia suas aquisições por meio de emissões de títulos conversíveis e ofertas de ações.

Essa abordagem a tornou um veículo alavancado para investidores que buscam exposição ao ativo digital. Tem gerado retornos impressionantes em períodos de alta, com as ações da MSTR superando o S&P 500 e o próprio Bitcoin em alguns momentos.

Contudo, analistas alertam para os riscos dessa estratégia de alavancagem. A forte correlação da MicroStrategy com o Bitcoin implica um risco ampliado de queda se a criptomoeda cair significativamente.

A adoção de normas contábeis que exigem a inclusão do valor justo das posições em Bitcoin no resultado financeiro provoca oscilações bilionárias entre lucro e prejuízo a cada trimestre. Isso torna a MicroStrategy um investimento de alta volatilidade.

Com o Bitcoin projetado para oscilar entre US$ 100 mil e US$ 140 mil em abril de 2026, a capacidade da MicroStrategy de navegar por essa volatilidade será crucial. O debate entre analistas reflete a incerteza do mercado cripto.

A MicroStrategy permanece um elo importante entre finanças tradicionais e criptomoedas. Seu futuro dependerá da valorização do Bitcoin e da gestão de sua estratégia única, em um cenário de constantes reavaliações e desafios.