A descrição do trabalho de um CEO permaneceu notavelmente estável por décadas, resistindo a ondas de mudanças tecnológicas como a internet e a computação em nuvem. Contudo, a inteligência artificial (IA) representa uma disrupção diferente, pois não é apenas uma ferramenta de execução, mas um sistema capaz de fazer escolhas e julgamentos sobre clientes, funcionários e estratégia. Essa mudança fundamental está reescrevendo o papel do CEO, tornando-se uma questão central para as lideranças na era da IA.
Quando uma organização implementa a IA, ela não está apenas instalando um software; está importando um tomador de decisões com seus próprios valores. Esta realidade exige uma reavaliação profunda das responsabilidades de quem é, em última instância, responsável por como a organização pensa e age, conforme destacado pela Fast Company. A transformação digital é vista como um fator de sobrevivência para a maioria dos CEOs e C-Levels brasileiros, com 73% classificando-a como de extrema importância para o futuro dos negócios.
O cenário atual mostra que a IA está moldando a maneira como as empresas operam e tomam decisões estratégicas. Executivos que compreendem seu impacto e sabem aplicá-la estrategicamente garantem vantagem competitiva, maior eficiência e crescimento acelerado. O Relatório AI Index 2025 da Universidade de Stanford, por exemplo, destaca a crescente acessibilidade da tecnologia e a tendência de descentralização do seu desenvolvimento.
O CEO como orquestrador da inteligência artificial
Líderes eficazes não podem simplesmente delegar a IA ao CTO e ignorá-la. Eles devem orquestrar ativamente o portfólio de inovação de suas organizações, equilibrando ambição transformacional com vitórias incrementais. Isso envolve três áreas cruciais: definir a visão, articulando como a IA se alinha ao propósito organizacional, o que acelera a adoção e diminui a resistência dos colaboradores.
Além disso, é preciso estabelecer limites claros, definindo onde a IA deve e não deve operar. É fundamental discernir quais decisões exigem julgamento humano e quais processos podem ser automatizados. O CEO também deve modelar pessoalmente a mudança de mentalidade que a IA exige, compartilhando sua própria jornada de aprendizado, incluindo erros.
Essa postura fomenta uma cultura organizacional que legitime a experimentação necessária para adaptar a nova tecnologia. Empresas que adotam a IA de forma estruturada podem, inclusive, aumentar sua lucratividade em até 38% até 2035, conforme um estudo da PwC.
Novas habilidades e desafios para a liderança
A era da IA exige que os CEOs desenvolvam um novo conjunto de competências. A mentalidade de dados, por exemplo, é crucial, pois o CEO da era da IA deve gerenciar a empresa como um sistema de informação vivo, onde os dados são uma fonte tremenda de vantagem competitiva. A IA exige que profissionais saibam trabalhar com dados, entender sistemas e pensar de forma crítica.
Um estudo da PwC revelou que a influência da IA vem aumentando, e o otimismo em relação ao seu potencial supera a preocupação com seus riscos. Contudo, 43% dos CEOs temem ser substituídos pela inteligência artificial. A requalificação e o desenvolvimento de novas habilidades são essenciais, pois mais de 50% dos trabalhadores precisarão de requalificação até 2025, segundo o Fórum Econômico Mundial.
Outros desafios incluem a gestão da mudança com a equipe, pois a implementação da IA pode causar insegurança e resistência. A falta de profissionais capacitados para lidar com a IA é um dos principais obstáculos, com a demanda por cientistas de dados e engenheiros de aprendizado de máquinas superando a oferta.
Adicionalmente, questões éticas, como privacidade e imparcialidade, exigem que os líderes garantam que a IA seja utilizada de forma responsável e alinhada aos valores corporativos.
A transição para a era da IA não é meramente tecnológica, mas uma profunda transformação de liderança. Os CEOs precisam ser visionários e práticos, capazes de enxergar como a IA pode remodelar toda a indústria.
Ao mesmo tempo, devem compreender como a tecnologia pode auxiliar uma equipe de produto a entregar melhorias no próximo mês. A liderança, e não apenas a tecnologia, definirá os melhores desempenhos nos próximos anos, exigindo visão, inspiração e motivação para navegar neste complexo panorama.











