A percepção de que os imóveis estão cada vez mais caros no Brasil não é um mero palpite; ela encontra respaldo em dados consistentes do mercado. Nos últimos 12 meses, o Índice FipeZap de Preços de Imóveis Residenciais, que monitora 50 cidades brasileiras, registrou uma valorização significativa, superando a inflação oficial em muitas localidades e surpreendendo analistas e consumidores.

Essa escalada nos preços, que persiste mesmo em cenários de juros mais altos, levanta questões cruciais sobre a acessibilidade à moradia e o futuro do investimento imobiliário. Compreender os fatores que impulsionam essa alta é fundamental para quem busca comprar, vender ou simplesmente entender a dinâmica de um dos mercados mais importantes da economia nacional.

Os números recentes apontam para uma complexa interação entre demanda aquecida, oferta limitada e condições macroeconômicas. Florianópolis, por exemplo, tem se destacado com as maiores valorizações, mas grandes centros como São Paulo e Curitiba também mostram um vigor notável na evolução dos preços de imóveis, desafiando expectativas de arrefecimento.

A realidade dos números: O que dizem os índices de preços de imóveis

O Índice FipeZap, uma das principais referências para o mercado imobiliário brasileiro, tem sido um termômetro claro dessa valorização. Em abril de 2024, o indicador registrou um aumento de 0,66% nos preços de imóveis residenciais, acumulando uma alta de 5,74% nos 12 meses anteriores. Este crescimento superou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que ficou em 3,69% no mesmo período, conforme dados do IBGE. Isso significa que, na média, o valor dos imóveis está crescendo acima da inflação geral da economia.

Cidades como Florianópolis, com mais de 16% de valorização em 12 meses, e Maceió, com 14,8%, exemplificam a intensidade desse movimento. Mesmo capitais mais consolidadas, como São Paulo (5,9%) e Curitiba (6,9%), apresentaram crescimentos robustos. Segundo relatórios do FipeZap, essa valorização não se restringe apenas às grandes metrópoles, mas se espalha por diversos mercados regionais, impulsionada por fatores como migração populacional e busca por maior qualidade de vida.

A percepção de que os preços de imóveis estão mais altos se solidifica ao observarmos não apenas o preço de venda, mas também o de aluguel. O índice de aluguel do FipeZap, por exemplo, avançou 14,8% em 12 meses até abril de 2024, mostrando que a demanda por moradia é forte em todas as suas formas.

Fatores por trás da valorização: Juros, demanda e custo de construção

Vários elementos contribuem para a escalada dos preços de imóveis. Um dos principais é o custo de construção. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), calculado pela FGV, tem mostrado altas consistentes, impactando diretamente o valor final dos empreendimentos. A escassez de terrenos em áreas urbanas consolidadas também limita a oferta de novas unidades, pressionando os valores para cima.

A taxa Selic, embora esteja em patamares elevados, começou um ciclo de cortes, o que pode impulsionar o mercado de crédito imobiliário. Quando os juros caem, o financiamento se torna mais acessível, estimulando a demanda. Contudo, mesmo com juros mais altos nos últimos anos, a demanda por imóveis permaneceu resiliente, parcialmente impulsionada pela busca por ativos que ofereçam proteção contra a inflação e pela percepção de segurança do investimento em tijolo e cimento.

Especialistas como Ricardo Amorim, economista e consultor de investimentos, frequentemente apontam que a valorização é cíclica, mas fatores estruturais, como o déficit habitacional e o crescimento populacional, mantêm uma base de demanda robusta. A urbanização e a busca por imóveis com características específicas, como varandas ou áreas de lazer, também contribuem para a segmentação e valorização de determinados nichos de mercado.

A valorização dos preços de imóveis no Brasil é uma realidade multifacetada, impulsionada por custos de construção, demanda resiliente e um cenário macroeconômico em transição. Embora a alta seja generalizada, as nuances regionais e os diferentes perfis de imóveis mostram que o mercado é dinâmico. Para o futuro, a tendência é que a valorização continue, talvez em ritmo mais moderado, mas ainda acima da inflação, consolidando o imóvel como um porto seguro para investimentos e um desafio para a acessibilidade da moradia, à medida que a taxa Selic se ajusta e novos projetos buscam atender a demanda.