A Ethereum, em um movimento contínuo de aprimoramento de sua infraestrutura, concluiu recentemente um fork focado exclusivamente nos parâmetros de ‘blobs’. Esta etapa finaliza um ciclo crucial após a aguardada atualização Fusaka, implementada em dezembro de 2025, e sinaliza um avanço significativo na capacidade de processamento de dados da rede, especialmente para as soluções de segunda camada.

A atualização Fusaka, a 17ª grande melhoria da Ethereum, foi ativada em 3 de dezembro de 2025, representando um marco na evolução da blockchain. Seu principal objetivo é impulsionar a escalabilidade e a eficiência da rede, pavimentando o caminho para um futuro com maior rendimento e custos de transação mais baixos. Entre as inovações da Fusaka, destaca-se a introdução do EIP-7892, que permite forks focados apenas em parâmetros de blobs (BPO), oferecendo uma maneira mais flexível de ajustar a capacidade de dados sem a necessidade de um hard fork completo.

Agora, no fim de semana de 7 de janeiro de 2026, a Ethereum realizou seu segundo hard fork BPO, elevando o limite de blobs por bloco de 15 para 21 e o alvo de blobs de 10 para 14. Essa mudança estratégica permite que cada bloco armazene até aproximadamente 2,6 megabytes de dados, um aumento substancial que impacta diretamente a eficiência das operações na rede. A medida é um reflexo direto do esforço da comunidade de desenvolvedores para manter a Ethereum competitiva e responsiva às crescentes demandas do ecossistema.

O impacto da otimização de blobs nas Layer 2

A otimização dos parâmetros de blobs é um divisor de águas para as redes de segunda camada (Layer 2s), como Arbitrum e Optimism, que dependem fortemente dessa tecnologia para agrupar e processar transações de forma mais eficiente. Com a capacidade expandida de blobs, essas soluções podem lidar com um volume maior de dados, o que se traduz em uma redução esperada de 40% a 60% nos custos de transação para os usuários. Este avanço é crucial para a adoção em massa de aplicações descentralizadas (dApps) e serviços financeiros descentralizados (DeFi), tornando-os mais acessíveis e econômicos.

Um dos pilares da Fusaka é o PeerDAS (Peer Data Availability Sampling), uma tecnologia que permite aos nós validadores verificar a existência de dados de blob por amostragem, em vez de baixar e armazenar todos os dados. Isso diminui drasticamente os requisitos de largura de banda e armazenamento para os operadores de nós, promovendo a descentralização e a resiliência da rede. A combinação do PeerDAS com a capacidade ampliada de blobs, habilitada pelos forks BPO, é um passo fundamental em direção ao Danksharding completo, a visão de escalabilidade de longo prazo da Ethereum.

Fusaka e o caminho para o futuro da Ethereum

Além da gestão de blobs, a atualização Fusaka trouxe outras melhorias significativas. O limite de gás por bloco foi aumentado para 60 milhões, permitindo que mais transações sejam processadas na rede principal. Simultaneamente, um limite de gás por transação de 16,78 milhões foi introduzido para mitigar o risco de ataques de negação de serviço (DoS), garantindo a segurança e a estabilidade da rede mesmo com o aumento do rendimento. Essas mudanças refletem um planejamento meticuloso para equilibrar escalabilidade com segurança, um desafio constante no universo blockchain.

O desenvolvimento da Ethereum segue um roteiro ambicioso, com a Fusaka e seus subsequentes forks BPO preparando o terreno para futuras atualizações como a Glamsterdam, prevista para 2026, que promete introduzir o processamento paralelo de transações. A capacidade de ajustar os parâmetros de blobs de forma incremental, como demonstrado pelo recente fork, confere à Ethereum uma flexibilidade sem precedentes para se adaptar às necessidades do ecossistema, garantindo que a rede possa escalar de maneira sustentável e eficiente, solidificando sua posição como a base para a próxima geração da internet descentralizada.