O universo das criptomoedas, embora promissor, registrou um cenário preocupante em 2025, com golpistas subtraindo cerca de US$ 17 bilhões de investidores. Este volume alarmante, impulsionado por táticas cada vez mais sofisticadas, acende um alerta para 2026, que já demonstra sinais de um ambiente ainda mais perigoso para a segurança dos ativos digitais.
A expansão global das criptomoedas e a flexibilização regulatória em diversos países, como apontado pela Fast Company em janeiro de 2026, trouxeram consigo não apenas oportunidades, mas também um terreno fértil para criminosos. O relatório “2026 Crypto Crime Report” da Chainalysis, uma plataforma de dados blockchain de Nova York, detalha que os golpes de personificação, por exemplo, tiveram um aumento impressionante de 1.400% no último ano.
A média de perda por vítima saltou de US$ 782 em 2024 para US$ 2.764 em 2025, um crescimento de 253% ano a ano, indicando que as operações criminosas estão se tornando mais eficientes em persuadir usuários a transferir recursos. A complexidade desses ataques, que frequentemente combinam engenharia social e tecnologia avançada, torna a detecção e a recuperação dos fundos um desafio crescente para as autoridades e para as próprias vítimas.
Novas táticas e a ascensão da inteligência artificial nos golpes
Os golpistas estão aprimorando suas estratégias, utilizando a inteligência artificial (IA) para criar fraudes mais convincentes e lucrativas. A IA não apenas facilita a criação de deepfakes e a automação de campanhas de phishing-as-a-service, mas também eleva a persuasão dos golpes, como evidenciado pelo aumento na rentabilidade por incidente. Além dos golpes de personificação, esquemas de investimento de alto rendimento e os chamados “pig butchering” continuam a ser categorias dominantes em volume.
Casos recentes ilustram a diversidade e audácia dos criminosos. O FBI, por exemplo, alertou sobre o uso de caixas eletrônicos de Bitcoin, que se tornaram um ímã para golpistas que convencem vítimas a enviar suas economias para o exterior, resultando em mais de US$ 333 milhões em perdas em 2025. A fintech Betterment também confirmou um incidente de segurança em janeiro de 2026, onde hackers acessaram sistemas de terceiros para enviar mensagens fraudulentas de criptomoedas aos clientes, expondo dados de contato e perfil.
Outro episódio notório envolveu o ex-prefeito de Nova York, Eric Adams, que lançou um token cripto ($NYC) que rapidamente perdeu 81% de seu valor, gerando acusações de “rug pull”. Análises blockchain apontaram retiradas suspeitas de liquidez, totalizando milhões de dólares, de carteiras associadas ao criador do token. Tais eventos destacam a fragilidade do ecossistema diante de ações mal-intencionadas, mesmo em projetos que buscam legitimação.
Regulamentação e a busca por um ecossistema mais seguro
Diante do cenário de perdas crescentes, a necessidade de uma regulamentação robusta e eficaz torna-se ainda mais premente. Embora a regulação global tenha demonstrado flexibilização em alguns aspectos, ela também avança no sentido de combater a lavagem de dinheiro e as fraudes. No Brasil, por exemplo, o Banco Central implementou novas regras para criptoativos e combate à lavagem de dinheiro em novembro de 2025, buscando reduzir as oportunidades para golpes e fraudes.
Essas medidas visam não apenas proteger os investidores, mas também conferir maior segurança jurídica e previsibilidade ao mercado, o que é crucial para atrair o capital institucional. A expectativa é que 2026 seja um ano de aprofundamento na implementação dessas normas, com um impacto mais significativo na segurança e na adoção institucional das tecnologias Web3. A cooperação internacional e a educação dos usuários são consideradas caminhos essenciais para mitigar o impacto das fraudes, conforme apontado por analistas da Chainalysis.
O ano de 2025 marcou um ponto alto nas perdas por fraudes em criptomoedas, e os primeiros sinais de 2026 sugerem que a batalha contra os cibercriminosos está longe de terminar. A sofisticação dos golpes, impulsionada pela inteligência artificial e pela engenharia social, exige uma vigilância constante e uma adaptação rápida tanto dos usuários quanto das entidades reguladoras. Embora o mercado cripto continue a amadurecer, a responsabilidade individual na verificação de fontes e na proteção de ativos, aliada a um arcabouço regulatório em evolução, será fundamental para construir um futuro mais seguro e confiável para os ativos digitais.












