Em um movimento que agitou o mercado financeiro nesta segunda-feira, o Goldman Sachs elevou a recomendação das ações da Coinbase (COIN) de “Neutro” para “Comprar”. A decisão impulsionou o valor do papel da maior exchange de criptomoedas dos Estados Unidos, que registrou uma alta superior a 7% nas negociações matinais. A reavaliação ocorre em um momento crucial, em que a empresa busca solidificar sua posição em um cenário de rápida evolução e crescente concorrência, ao mesmo tempo em que o banco de investimento sinaliza potenciais riscos de execução.
O analista James Yaro, do Goldman Sachs, justificou a mudança de rating apontando que a recente desvalorização das ações da Coinbase, que caíram 13% no último ano, representava uma oportunidade atraente de compra. O banco também elevou o preço-alvo para US$ 303, ante os US$ 294 anteriores. Essa perspectiva otimista reflete uma crença na transição da Coinbase para um modelo de crescimento mais estrutural, impulsionado por uma diversificação estratégica de seus serviços, conforme noticiado pelo TipRanks em 5 de janeiro de 2026.
A tese do Goldman Sachs se baseia na robusta escala e na força da marca Coinbase, evidenciadas por seus 9,5 milhões de usuários transacionando mensalmente e aproximadamente US$ 500 bilhões em ativos sob custódia. A empresa detém cerca de 48% da participação no mercado de exchanges de criptomoedas dos EUA, o que, segundo o analista, sustenta um crescimento de receita anual acima da média, estimado em 12% entre 2025 e 2027, superando a média de 8% dos concorrentes.
Ajuste de rating e o cenário de risco
A elevação da Coinbase pelo Goldman Sachs surge em um contexto de transformação para a plataforma. O banco destaca a mudança para um crescimento estrutural, impulsionado por um crescente negócio de derivativos, infraestruturas de criptoativos robustas e novos produtos de crescimento secular, como tokenização e mercados de previsão. Em dezembro de 2025, a Coinbase lançou uma expansão de ofertas que incluiu negociação de ações nos EUA, além de serviços de corretagem, banco de consumo e gestão de patrimônio, melhorando sua competitividade.
Apesar do otimismo, o Goldman Sachs não ignora os riscos inerentes ao setor e à própria operação da Coinbase. A concorrência crescente é uma preocupação notável, exemplificada pela decisão do banco de rebaixar a eToro para “Neutro” simultaneamente, citando a intensificação da competição em seus mercados e produtos centrais. Isso pode levar a maiores custos de aquisição de clientes e pressionar os preços, complicando a expansão planejada da eToro nos EUA.
Competição acirrada e desafios operacionais
Os riscos de execução para a Coinbase incluem a volatilidade inerente ao mercado de criptoativos e a complexidade de navegar em um ambiente regulatório em constante mudança. Embora o Goldman Sachs preveja um cenário regulatório mais claro nos EUA em 2026, com a possível aprovação de legislação que defina o arcabouço para ativos tokenizados, a incerteza regulatória ainda é vista como uma barreira significativa para a participação institucional. Além disso, a alta volatilidade das ações da Coinbase (beta de 5,46) e o Beneish M-Score, que sugere potencial manipulação financeira, são fatores que investidores devem considerar.
A diversificação da Coinbase em negócios de infraestrutura, como custódia, stablecoins e staking, que agora representam cerca de 40% da receita total da empresa, é vista como um fator que reduz a dependência de receitas cíclicas de transações. Essa mudança estratégica visa estabilizar os ganhos e mitigar parte dos riscos de execução associados à natureza volátil das negociações de criptoativos. O CEO Brian Armstrong delineou uma visão ambiciosa para 2026, buscando transformar a Coinbase em uma “exchange completa” que abranja cripto, ações, mercados de previsão e commodities.
A atualização do Goldman Sachs para a Coinbase reflete uma visão mais matura do mercado de criptoativos, onde empresas com forte infraestrutura e estratégias de diversificação podem prosperar. Embora os riscos de execução e a concorrência acirrada permaneçam, a aposta do banco na capacidade da Coinbase de se adaptar e capitalizar em novas áreas de crescimento sugere um futuro promissor para a gigante cripto no cenário financeiro global. Acompanhar a evolução regulatória e a eficácia das novas ofertas será crucial para a trajetória da empresa.










