O cenário das criptomoedas registra movimentos decisivos: Cathie Wood, CEO da ARK Invest, agitou o mercado ao sugerir que o governo dos EUA em breve iniciará a compra de bitcoin para uma reserva estratégica nacional. Em paralelo, a Ripple Labs obteve uma importante autorização regulatória no Reino Unido, sinalizando uma crescente institucionalização dos ativos digitais globalmente.

Esses desenvolvimentos, conforme noticiado por publicações especializadas como o The Block, indicam um amadurecimento do setor cripto, que passa a ser visto não apenas como um ativo especulativo, mas como parte integrante de estratégias financeiras e geopolíticas, e um campo para inovações reguladas.

A possível entrada de um ator de peso como o governo americano no mercado de bitcoin, somada à expansão regulatória de empresas como a Ripple, reconfigura as expectativas para o futuro da economia digital, atraindo a atenção de investidores e formuladores de políticas públicas.

A visão de Cathie Wood sobre a compra de bitcoin pelo governo

Cathie Wood, uma das mais proeminentes defensoras do bitcoin entre os investidores tradicionais, reacendeu o debate ao sugerir que o governo dos EUA poderia começar a comprar bitcoin diretamente. Em entrevista ao podcast Bitcoin Brainstorm, Wood reiterou sua crença de que o governo federal eventualmente atuará para construir uma reserva estratégica nacional, um conceito formalizado no primeiro trimestre de 2025 por uma ordem executiva do então presidente Donald Trump.

Atualmente, o Tesouro dos EUA já detém aproximadamente 198.000 BTC, provenientes de apreensões criminais, o que a torna uma das maiores reservas públicas de criptoativos mantidas por um governo. Contudo, Wood enfatiza que a intenção original era possuir 1 milhão de bitcoins, e ela acredita que as compras ativas no mercado terão início em breve. A CEO da ARK Invest conecta o possível apoio de Trump à criptomoeda a razões políticas, incluindo as eleições de meio de mandato de 2026 e o desejo de não ser um “pato manco”, além do crescente interesse de sua família no setor. Ela também projeta o bitcoin atingindo US$ 1,5 milhão até 2030, reafirmando sua visão otimista para o ativo.

Ripple e a autorização da FCA no Reino Unido

Em um marco regulatório significativo para o setor de criptomoedas, a Ripple Markets UK, subsidiária britânica da Ripple Labs, garantiu autorização da Financial Conduct Authority (FCA) do Reino Unido. Essa aprovação inclui o registro como Instituição de Dinheiro Eletrônico (EMI) e sob as Regulamentações de Lavagem de Dinheiro (MLRs) do Reino Unido, permitindo que a empresa forneça serviços de pagamento e emita dinheiro eletrônico.

Essa licença é crucial para a estratégia de expansão da Ripple na Europa, solidificando sua posição em um mercado que busca clareza regulatória. No entanto, a autorização vem com restrições. A Ripple Markets UK não poderá, sem consentimento prévio da FCA, oferecer serviços de caixas eletrônicos de cripto, atender clientes de varejo ou nomear agentes e distribuidores. A emissão de dinheiro eletrônico e serviços de pagamento a consumidores, microempresas ou instituições de caridade também estão limitados nesta fase. A FCA estabeleceu um prazo até outubro de 2027 para que empresas registradas nas MLRs solicitem autorização completa sob a Lei de Serviços Financeiros e Mercados (FSMA), marcando um período de transição para as empresas de cripto no Reino Unido. A notícia teve uma reação moderada no preço do XRP, com leves valorizações após o anúncio.

Enquanto esses gigantes do setor cripto avançam, o mercado de forma mais ampla observa a crescente integração de ativos digitais ao sistema financeiro tradicional. Bancos como o Arvest, por exemplo, estão em plena transformação digital, explorando tecnologias que, embora não diretamente um “stablecoin” próprio no momento, abrem portas para a adoção de inovações como as stablecoins, que podem reestruturar passivos bancários e impactar trilhões em depósitos, segundo análises do Tesouro dos EUA.

No Brasil, a B3 também demonstra esse movimento de institucionalização, ao anunciar a ampliação do horário de negociação para futuros de criptomoedas como Bitcoin, Ethereum e Solana, a partir de março de 2026. Essa medida visa atender à demanda por maior flexibilidade e integrar o mercado de derivativos de criptoativos ao horário comercial estendido.

Os próximos anos prometem ser cruciais para a consolidação das criptomoedas como parte integrante do sistema financeiro global. A clareza regulatória, a adoção institucional e o interesse governamental, como sugerido por Cathie Wood, continuarão a moldar a percepção e o valor desses ativos. A convergência entre finanças tradicionais e o ecossistema cripto é uma tendência irreversível, com impactos que se estenderão muito além do mercado de ativos digitais.