A lentidão inerente às redes blockchain tem sido um obstáculo significativo para sua plena adoção em aplicações do mundo real, como cidades inteligentes e a Internet das Coisas (IoT), que demandam respostas em tempo real. Contudo, uma pesquisa recente da Universidade de Chiba, no Japão, revelou que o problema não reside na tecnologia blockchain em si, mas sim na forma como os dispositivos se comunicam. Uma abordagem inovadora promete tornar o blockchain quase duas vezes mais rápido, superando gargalos de dados e abrindo novas possibilidades para sistemas críticos.
A visão de um mundo totalmente conectado, impulsionada pela Internet das Coisas (IoT), já é uma realidade com bilhões de dispositivos trocando dados online. A segurança e a integridade dessas informações são cruciais, o que levou engenheiros a explorar a tecnologia blockchain como uma solução robusta.
Embora famoso por criptomoedas, o blockchain oferece um registro digital descentralizado, mantido por múltiplos computadores, garantindo dados imutáveis e resistentes a fraudes. Apesar das vantagens em segurança, a maioria dos sistemas blockchain opera com velocidade insuficiente para as exigências da IoT, onde dispositivos precisam reagir em frações de segundo.
Estudos anteriores focaram na arquitetura do software, mas a equipe liderada pelo Professor Associado Kien Nguyen, da Universidade de Chiba, identificou outro ponto crítico. A ineficiência, segundo a pesquisa, origina-se na topologia da rede peer-to-peer e no gerenciamento inadequado de dados duplicados, um aspecto muitas vezes negligenciado na busca por otimização.
O gargalo da rede e a solução Dual Perigee
A pesquisa da Universidade de Chiba, publicada em 17 de dezembro de 2025, na IEEE Transactions on Network and Service Management, analisou como diferentes configurações de rede impactam a velocidade do blockchain. Os pesquisadores descobriram que as redes descentralizadas de IoT frequentemente transmitem os mesmos dados várias vezes.
Essa replicação excessiva de transações e blocos sobrecarrega as redes e causa atrasos significativos, formando filas de dados que comprometem o desempenho em tempo real. Para resolver este problema fundamental, a equipe desenvolveu um algoritmo descentralizado e leve chamado ‘Dual Perigee’.
Este método capacita cada dispositivo na rede a tomar decisões mais inteligentes sobre suas conexões. Em vez de depender de escolhas aleatórias, um dispositivo com Dual Perigee avalia a velocidade com que seus vizinhos entregam transações e blocos. Conexões consistentemente lentas são descartadas e substituídas por outras de melhor desempenho.
Com o tempo, a própria rede se reorganiza naturalmente para uma configuração mais rápida, sem a necessidade de uma autoridade central. Esta abordagem simples, mas eficaz, representa um avanço significativo na superação das limitações de latência que historicamente impediram a adoção generalizada do blockchain em cenários de alta demanda.
Resultados promissores e o futuro do blockchain em tempo real
Os testes do algoritmo Dual Perigee em um ambiente simulado de IoT com 50 nós demonstraram resultados impressionantes. A tecnologia reduziu os atrasos relacionados a blocos em 48,54% em comparação com o método padrão utilizado pelo blockchain Ethereum.
Além disso, superou o desempenho de abordagens avançadas, incluindo o algoritmo Perigee original, em mais de 23%. O mais importante é que essas melhorias foram alcançadas sem aumentar a carga de trabalho nos dispositivos IoT, utilizando medições passivas de dados já recebidos e exigindo processamento mínimo.
As implicações deste trabalho estendem-se por vários setores tecnológicos. A confirmação e o compartilhamento mais rápidos de dados permitem que os sistemas blockchain suportem aplicações onde o tempo é crítico, como em sistemas de saúde para registros médicos seguros e em infraestruturas de cidades inteligentes para gerenciamento de tráfego ou redes de energia.
Segundo a ScienceDaily, que reportou a pesquisa em janeiro de 2026, a otimização pode desbloquear o potencial do blockchain para sistemas de missão crítica.
A descoberta da Universidade de Chiba transforma a perspectiva sobre a velocidade do blockchain. Ao focar na otimização da conectividade de rede em vez de apenas no protocolo subjacente, o Dual Perigee oferece uma solução prática e descentralizada para um problema persistente. Este avanço promete não apenas acelerar as transações, mas também solidificar a posição do blockchain como uma espinha dorsal segura e eficiente para a próxima geração de dispositivos e serviços conectados que moldarão as cidades e indústrias do futuro.











