A inteligência artificial (IA) tornou-se uma força onipresente, permeando conversas familiares e debates públicos sobre seu impacto na sociedade. Contudo, apesar de sua rápida disseminação e dos avanços notáveis, prever os próximos passos dessa tecnologia é uma tarefa cada vez mais complexa para especialistas e analistas. As incertezas em torno de seu desenvolvimento e aceitação criam um cenário nebuloso para qualquer prognóstico preciso, como destacado em uma análise recente da MIT Technology Review.

Essa dificuldade não se limita apenas à compreensão técnica. Ela se estende a como a IA será integrada na vida cotidiana, moldando desde o mercado de trabalho até as interações sociais. Em 2024, um relatório do Jornal da USP já apontava que, embora o impacto positivo da IA na produtividade seja conceitualmente claro, os resultados práticos ainda não se concretizaram plenamente, evidenciando a lacuna entre a expectativa e a realidade.

No Brasil, o otimismo é notável: uma pesquisa da Ipsos e Google, divulgada pelo Conselho Digital em 2025, revelou que 54% dos brasileiros usaram IA generativa em 2024, superando a média global. Este entusiasmo, no entanto, não elimina as profundas incógnitas que tornam as previsões sobre a IA um verdadeiro desafio.

Incógnitas tecnológicas e a opinião pública

Uma das principais questões que dificultam as previsões de IA reside na incerteza sobre a evolução dos grandes modelos de linguagem (LLMs). Estes modelos, que impulsionam desde assistentes virtuais a ferramentas de atendimento ao cliente, são o alicerce de grande parte da euforia e da ansiedade em torno da IA. A dúvida sobre se continuarão a ficar incrementalmente mais inteligentes a curto prazo é fundamental, pois uma desaceleração no seu desenvolvimento teria implicações significativas em todo o ecossistema tecnológico, como abordado pela MIT Technology Review.

Paralelamente, a percepção pública sobre a IA é complexa e, por vezes, contraditória. Embora o Brasil lidere em otimismo e uso da IA generativa, conforme pesquisa do Opinion Box de 2024, existe uma crescente preocupação global. Grandes empresas de tecnologia enfrentam uma batalha para conquistar a opinião pública, especialmente em relação a projetos de infraestrutura como data centers, que encontram resistência em comunidades locais. Essa impopularidade, mesmo que localizada, pode afetar a velocidade e a direção do desenvolvimento da IA.

Cenário regulatório confuso e aplicações ambíguas

A resposta dos legisladores à rápida evolução da IA é, até o momento, bastante confusa e fragmentada. Em 2025, a União Europeia, com seu Regulamento da IA, e os Estados Unidos, com suas abordagens mais específicas, demonstram a divergência global. Há um debate contínuo sobre se a regulamentação deve ser federal ou estadual, e diferentes grupos, de legisladores progressistas a agências governamentais, defendem abordagens distintas para controlar as empresas de IA. Essa falta de consenso dificulta a criação de um ambiente estável para o desenvolvimento e a adoção da tecnologia, como noticiou o ECO em dezembro de 2025.

Além disso, as aplicações da IA apresentam um panorama ambíguo. Enquanto tecnologias mais antigas de aprendizado de máquina, como o deep learning, já contribuem para avanços significativos na medicina (como o AlphaFold para previsão de proteínas) e na pesquisa científica, o histórico dos chatbots baseados em LLMs mais recentes é mais modesto. Embora sejam excelentes em resumir grandes volumes de pesquisa, sua capacidade de fazer “descobertas genuínas” ainda é questionável, com alguns relatos de avanços notáveis se mostrando infundados. A IA pode auxiliar diagnósticos médicos, mas também incentivar a autodiagnose, com resultados potencialmente desastrosos, conforme apontado pela MIT Technology Review.

A complexidade das previsões sobre a inteligência artificial reflete a natureza multifacetada da própria tecnologia. As incertezas quanto ao avanço dos modelos, a flutuação da opinião pública e a ausência de um arcabouço regulatório coeso criam um cenário onde antecipar o futuro da IA é um exercício de ponderação constante. Embora o próximo ano possa trazer algumas respostas, é certo que novas perguntas surgirão, mantendo a IA como um dos tópicos mais desafiadores e fascinantes da nossa era.