A rede Starknet, uma proeminente solução de escalonamento Layer-2 do Ethereum que utiliza ZK-rollups, enfrentou uma nova interrupção em 5 de janeiro de 2026, com a produção de blocos paralisada por mais de duas horas. Este incidente representa a segunda grande disrupção desde a implementação da ambiciosa atualização Grinta em setembro de 2025, levantando sérias questões sobre a estabilidade e a confiabilidade da plataforma em um momento crucial para o ecossistema blockchain.

A equipe da Starknet rapidamente confirmou a ocorrência da falha por meio de suas plataformas sociais, indicando que engenheiros estavam investigando ativamente a causa para restaurar a funcionalidade completa da rede. Embora a causa raiz não tenha sido imediatamente divulgada, a recorrência de problemas após um upgrade tão significativo como o Grinta coloca em xeque a robustez da infraestrutura projetada para escalabilidade e redução de taxas.

O episódio atual ecoa as preocupações geradas pela interrupção de setembro de 2025, que seguiu de perto o lançamento da atualização Grinta (versão 0.14.0). Naquela ocasião, a rede sofreu uma paralisação prolongada que durou entre 2,5 e 9 horas, interrompendo completamente a produção de blocos e exigindo duas reorganizações da cadeia. Segundo informações do www.theblock.co, este evento resultou na reversão de aproximadamente uma hora de transações, forçando usuários a reenviar operações afetadas.

Os desafios da descentralização pós-Grinta

A atualização Grinta foi projetada para ser um marco na arquitetura da Starknet, visando a descentralização do sequenciador – um componente vital para ordenar e processar transações – ao passar de um modelo centralizado para três sequenciadores. Além disso, a atualização prometia melhorias significativas na eficiência, com um novo mercado de taxas e um sistema de mempool aprimorado. Contudo, a transição não ocorreu sem turbulências.

O incidente de setembro foi atribuído a uma sequência complexa de falhas, incluindo problemas com provedores de Ethereum RPC, incompatibilidade com o código Cairo0 e um bug no software blockifier que exacerbou as disrupções. Abdelhamid Bakhta, colaborador da StarkWare, a empresa por trás da Starknet, reconheceu na época a gravidade da situação, descrevendo-a como um “custo inevitável da inovação” em um território ainda inexplorado de rollups ZK descentralizados.

Impacto no ecossistema e perspectivas futuras

A série de interrupções levanta uma bandeira vermelha para o ecossistema da Starknet, afetando não apenas a experiência do usuário, que enfrenta a frustração de transações perdidas e a necessidade de reenvio, mas também a confiança de desenvolvedores e investidores. Durante a interrupção de setembro, o token nativo STRK registrou uma queda de 3% a 5% em seu valor, refletindo a preocupação do mercado com a estabilidade operacional da rede.

Apesar dos reveses, a Starknet continua sendo uma das maiores soluções Layer-2, com um volume significativo de ativos sob gestão. A equipe tem se comprometido a publicar relatórios post-mortem detalhados, analisando as causas e propondo estratégias de prevenção para incidentes futuros. No entanto, a recorrência dessas interrupções sublinha o desafio inerente de equilibrar a inovação e a busca pela descentralização com a necessidade premente de resiliência e estabilidade em infraestruturas blockchain de missão crítica.