Um dos mais notórios chefes de golpes envolvendo criptomoedas, Chen Zhi, fundador do conglomerado Prince Holding Group, foi preso no Camboja e extraditado para a China nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026. A detenção ocorre meses após o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) ter confiscado aproximadamente 127.271 bitcoins, avaliados em cerca de US$15 bilhões, em uma ação descrita como a maior apreensão de ativos de sua história, ligada a esquemas de fraude liderados por Zhi.
As autoridades cambojanas confirmaram a extradição de Chen Zhi e outros dois cidadãos chineses, Xu Ji Liang e Shao Ji Hui, atendendo a um pedido das autoridades chinesas no âmbito da cooperação no combate ao crime transnacional. Esta operação global destaca a crescente complexidade e o alcance transfronteiriço das fraudes em criptomoedas, que utilizam táticas como o “pig butchering” para enganar vítimas em todo o mundo.
A notícia, inicialmente veiculada por publicações especializadas em criptomoedas, como a The Block, detalha como a rede criminosa de Zhi operava centros de fraude cibernética no Camboja, utilizando trabalho forçado para perpetrar golpes. A extradição marca um avanço significativo nos esforços internacionais para desmantelar organizações criminosas que exploram a tecnologia blockchain para atividades ilícitas, com o objetivo de recuperar ativos roubados e responsabilizar os criminosos.
A teia global do golpe e o trabalho forçado
Chen Zhi, um magnata nascido na China, havia sido indiciado pelos EUA em outubro de 2025 por conspiração de fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. A acusação detalha que ele presidia campos de trabalho forçado no Camboja, onde trabalhadores traficados eram obrigados a executar esquemas de fraude de criptomoedas que renderam bilhões de dólares. O Prince Holding Group, fundado por Zhi, foi apontado pelas autoridades como uma fachada para uma das maiores organizações criminosas transnacionais da Ásia.
Os golpistas, sob o comando de Zhi, exploravam trabalhadores forçados para contatar milhares de vítimas através de mídias sociais e plataformas de mensagens online. Eles construíam relacionamentos e as induziam a transferir criptomoedas com falsas promessas de altos retornos de investimento. Estes esquemas, conhecidos como “pig butchering” (ou “abate de porcos”), chegavam a gerar até US$30 milhões por dia em seu pico, com os fundos roubados sendo lavados através de carteiras digitais não hospedadas.
As operações de Zhi não se limitavam ao Camboja. A investigação revelou que o magnata teria ligações com autoridades de inteligência chinesas e teria adquirido 19 propriedades em Londres, algumas próximas à embaixada dos EUA, indicando uma vasta rede de influência e lavagem de dinheiro. Em meados de outubro de 2025, o Departamento do Tesouro dos EUA e o governo do Reino Unido impuseram sanções ao Prince Group e a indivíduos e entidades associadas, classificando-os como uma organização criminosa transnacional.
Ações internacionais e a recuperação de ativos
A prisão de Chen Zhi e sua extradição são o resultado de uma coordenação internacional intensificada contra a criminalidade cibernética. A cooperação entre as autoridades cambojanas e chinesas, juntamente com a pressão exercida pelas acusações dos EUA, culminou na detenção do suposto líder. Em dezembro de 2025, a nacionalidade cambojana de Zhi foi revogada por um decreto real, um passo crucial para permitir sua extradição.
A apreensão de US$15 bilhões em bitcoin pelo Departamento de Justiça dos EUA em outubro de 2025 foi um marco na luta contra a fraude em criptomoedas. Os fundos, que estavam em carteiras de criptomoedas controladas por Zhi, agora estão sob custódia do governo dos EUA, representando a maior ação de confisco de ativos na história do departamento. Essa ação demonstra a capacidade das autoridades em rastrear e recuperar ativos digitais, mesmo em redes complexas de lavagem de dinheiro que utilizam empresas de fachada e carteiras não-custodiadas.
O caso de Chen Zhi sublinha a urgência de uma abordagem global e multifacetada para combater a exploração do trabalho humano e as fraudes financeiras habilitadas por criptomoedas. A diretora do FBI, Kash Patel, afirmou que a operação foi uma das maiores desarticulações de fraude financeira da história, visando um indivíduo que supostamente operava uma vasta rede criminosa em múltiplos continentes.
A extradição de Chen Zhi para a China envia uma mensagem clara sobre a determinação das autoridades globais em combater golpes de criptomoedas e a exploração de trabalho forçado. Este evento destaca a importância da colaboração internacional e da vigilância contínua para proteger investidores e trabalhadores vulneráveis, enquanto o cenário das finanças digitais segue evoluindo rapidamente. A luta contra essas redes sofisticadas de crime exige uma resposta coordenada e persistente, com o objetivo de desmantelar impérios fraudulentos e garantir a integridade do ecossistema financeiro global.












