A GameStop, gigante do varejo de videogames, revelou que o pacote de remuneração de seu CEO, Ryan Cohen, está inteiramente atrelado a metas de desempenho, eliminando qualquer pagamento garantido. A decisão, comunicada em um documento regulatório na quarta-feira, estabelece que Cohen só receberá sua compensação se a empresa atingir objetivos financeiros e de mercado significativos.

Essa estrutura inovadora exige que a capitalização de mercado da GameStop alcance US$ 100 bilhões e que a empresa registre US$ 10 bilhões em EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) acumulado para que o prêmio seja totalmente concedido. A GameStop enfatiza que não haverá salário, bônus em dinheiro ou ações que simplesmente se valorizem ao longo do tempo.

A companhia afirma que a remuneração de Cohen é “totalmente de risco”, garantindo que seus incentivos estejam diretamente alinhados com a criação de valor de longo prazo para os acionistas. Em meados do dia da divulgação, as ações da GameStop subiram 4%, alcançando US$ 21,49, elevando a capitalização de mercado para aproximadamente US$ 9,26 bilhões, conforme noticiado pela Fast Company.

Um modelo de remuneração agressivo para CEOs

O modelo de compensação adotado pela GameStop para Ryan Cohen ecoa a estratégia de remuneração aprovada pelos acionistas da Tesla para seu CEO, Elon Musk. Nesse arranjo, Musk receberia ações da Tesla no valor de US$ 1 trilhão caso atingisse determinadas metas de desempenho ao longo de uma década.

A ousadia da GameStop em vincular a compensação de seu principal executivo a resultados tão elevados reflete uma tendência de maior alinhamento entre a liderança e os investidores. Este tipo de pacote visa motivar drasticamente a gestão a buscar crescimento exponencial, ao invés de depender de pagamentos fixos que podem desassociar o desempenho pessoal do sucesso da empresa.

O pacote de compensação de Ryan Cohen inclui opções de compra de mais de 171,5 milhões de ações ordinárias por US$ 20,66 cada. No entanto, é crucial que os acionistas aprovem essa nova proposta em uma reunião especial agendada para março ou abril, um passo essencial para a validação da estrutura.

A decisão da GameStop de atrelar a compensação do CEO Ryan Cohen a metas de desempenho tão rigorosas marca um capítulo importante na governança corporativa da empresa. Essa abordagem, embora arriscada para o executivo, promete um alinhamento quase perfeito com os interesses dos acionistas, forçando uma busca implacável por valor. Resta acompanhar a aprovação dos acionistas e os desdobramentos futuros dessa estratégia ambiciosa no volátil mercado de ações.