A enigmática sigla FAFO, que ganhou destaque em postagens do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, traduz uma postura de advertência direta e sem rodeios no cenário político global. Utilizada em momentos de tensão diplomática, a expressão encapsula uma filosofia de que ações provocativas terão consequências inevitáveis.

Em janeiro de 2025, após sua posse como 47º presidente, Trump publicou a sigla em sua plataforma Truth Social, acompanhada de uma imagem gerada por inteligência artificial, em meio a uma disputa acalorada com a Colômbia sobre a deportação de migrantes. Meses depois, em janeiro de 2026, a Casa Branca novamente empregou o termo com a mensagem “No games. FAFO.” após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, sinalizando uma abordagem firme e sem concessões.

A popularização do FAFO no discurso político reflete uma mudança na comunicação, afastando-se das formalidades diplomáticas tradicionais para adotar um estilo mais assertivo e confrontador. Essa retórica, que enfatiza o poder bruto e a dissuasão, tem sido uma marca registrada da administração Trump, ressoando em diversos círculos, desde grupos de direita até o público geral em redes sociais.

A origem e o sentido por trás do FAFO

O acrônimo FAFO é a abreviação de “Fuck Around and Find Out”, ou em uma versão mais polida, “Fool Around and Find Out”. A essência da expressão é clara: se alguém se envolve em ações imprudentes ou provocativas, inevitavelmente enfrentará as repercussões. O termo é um aviso contundente de que brincar com fogo resultará em queimaduras.

Suas origens são tema de debate, com algumas teorias apontando para a cultura de gangues de motociclistas, paródias da bandeira Gadsden ou até mesmo o inglês vernáculo afro-americano (AAVE) por volta de 2007. A expressão ganhou tração significativa online no final dos anos 2010 e início dos 2020, impulsionada pela cultura de memes e vídeos virais. Analogias comuns incluem “quem brinca com o touro leva chifrada” ou “mexer num ninho de marimbondos resulta em picadas”.

Embora não seja exclusivo do meio político, o FAFO tem sido amplamente utilizado em contextos militares e de aplicação da lei como uma forma direta de alertar adversários sobre as consequências de suas ações. Essa adoção demonstra como o termo transcendeu o jargão informal, assumindo um papel de filosofia de dissuasão em ambientes de alta tensão, conforme destacado pelo Merriam-Webster.

FAFO na retórica de Trump e suas implicações políticas

A incorporação do FAFO por Donald Trump e seu círculo governamental não é acidental; ela reflete uma estratégia de comunicação que busca projetar força e intransigência. Ao usar uma linguagem tão coloquial e direta, a administração sinaliza uma disposição para romper com as normas diplomáticas e enfrentar desafios com uma abordagem “linha dura”, conforme observado em reportagens da Newsweek.

No caso da Colômbia, a recusa inicial em permitir o pouso de aviões militares americanos com migrantes deportados levou a uma resposta rápida e ameaçadora de Trump, que incluiu a sugestão de tarifas e sanções severas. Essa “diplomacia FAFO”, como alguns a chamaram, visava pressionar a Colômbia a reverter sua posição, o que eventualmente ocorreu, com o Time Magazine cobrindo o impacto dessa abordagem.

A expressão tornou-se um rótulo não oficial para o efeito chicote de uma política de provocação, especialmente em subculturas financeiras e políticas, descrevendo as consequências de uma governança imprevisível. Para os mercados, o FAFO passou a transmitir uma sensação de exasperação diante das entradas erráticas que rotineiramente movem as economias. A retórica, portanto, não apenas molda a percepção pública, mas também influencia a estabilidade e a previsibilidade nas relações internacionais e nos mercados, um ponto analisado pelo Storyboard18.

O FAFO, em sua essência, é um lembrete vívido de que todas as ações têm repercussões. A adoção dessa expressão por figuras políticas como Donald Trump sublinha uma era onde a comunicação direta, por vezes agressiva, se tornou uma ferramenta para demarcar limites e projetar poder. A frase, que ressoa tanto em gabinetes quanto em redes sociais, continuará a ser um barômetro para a abordagem de “causa e efeito” na política global, com implicações que transcendem a mera gíria e afetam a dinâmica das relações internacionais e a percepção de liderança.