A busca da Binance por uma licença MiCA na Grécia sinaliza um novo capítulo para a regulamentação cripto na Europa, enquanto nos Estados Unidos, o cenário legislativo começa a se definir. Contudo, o mercado de Bitcoin enfrenta desafios, com muitos investidores registrando perdas líquidas, indicando um período de reajuste e maturidade do setor.

Este momento é crucial para o ecossistema de ativos digitais, que se move em direção a uma maior clareza regulatória em blocos econômicos importantes. A União Europeia, com o Regulamento de Mercados em Criptoativos (MiCA), e os EUA, com projetos de lei em andamento, buscam estabelecer bases sólidas para a inovação e a proteção do consumidor. Paralelamente, a volatilidade intrínseca do Bitcoin continua a testar a resiliência dos investidores.

As recentes movimentações regulatórias e as dinâmicas de mercado do Bitcoin refletem uma indústria em constante evolução, onde a conformidade e a estabilidade se tornam pilares para o crescimento sustentável. A forma como esses elementos se entrelaçam determinará as próximas fases do desenvolvimento do setor financeiro digital.

A corrida regulatória da Binance na Europa

A Binance, a maior exchange de criptomoedas do mundo em volume negociado, deu um passo significativo em direção à conformidade regulatória na Europa ao solicitar formalmente uma licença MiCA através de reguladores gregos. A empresa estabeleceu uma holding local em Atenas com o objetivo de obter a aprovação para oferecer seus serviços nos 27 países da União Europeia, antes do prazo final de 1º de julho de 2026.

O Regulamento MiCA, que representa o primeiro quadro regulatório abrangente para criptoativos na UE, visa proporcionar clareza, proteger investidores e fomentar a confiança institucional. A escolha da Grécia pela Binance é estratégica, dada a postura cada vez mais amigável do país em relação ao setor cripto, o que pode agilizar o processo de licenciamento.

Este movimento da Binance ocorre em um contexto de crescente pressão regulatória. Em janeiro de 2026, a Autorité des Marchés Financiers (AMF) da França alertou que a Binance estava entre 90 empresas cripto que, embora registradas, ainda não possuíam a licença MiCA, e o período de transição na França se encerra em 30 de junho de 2026. A exchange já havia anunciado restrições a pares de stablecoins não conformes com o MiCA para usuários do Espaço Econômico Europeu a partir de 31 de março de 2025.

O labirinto legislativo dos EUA e o desafio do Bitcoin

Nos Estados Unidos, o cenário legislativo para criptomoedas continua a se desenvolver, com senadores apresentando um projeto de lei em 12 de janeiro de 2026, visando criar uma estrutura regulatória clara para o setor. A proposta busca definir as jurisdições da Securities and Exchange Commission (SEC) e da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), uma demanda antiga da indústria para reduzir a incerteza jurídica.

Além disso, a Lei GENIUS, aprovada em julho de 2025, já reformulou o uso de stablecoins, tornando-se uma peça legislativa crucial. No entanto, a abordagem regulatória dos EUA ainda é vista como fragmentada em comparação com o quadro unificado da MiCA na Europa ou com as licenças de stablecoins que Hong Kong planeja implementar em 2026.

Enquanto isso, o mercado de Bitcoin tem enfrentado um período de ajuste. Holders de Bitcoin registraram perdas líquidas por 30 dias consecutivos, algo não visto desde o final de 2023, após mais de dois anos de ganhos. Essa métrica indica que as moedas movimentadas on-chain no último mês foram vendidas abaixo do custo de compra, sugerindo pressão de venda de investidores que adquiriram o ativo em patamares mais altos.

Análises recentes apontam que novas “baleias” de Bitcoin — detentores de mais de 1.000 BTC com UTXOs de menos de 155 dias — controlam agora uma parcela maior do capital realizado do Bitcoin do que os holders de longo prazo. O preço realizado para essas novas baleias está próximo de US$ 98.000, e com o BTC negociado abaixo desse nível, elas acumulam US$ 6 bilhões em perdas não realizadas. O Bitcoin tem lutado para se manter acima de US$ 90.000, com analistas indicando uma possível retração em direção a US$ 85.000, em contraste com a valorização recorde do ouro, que superou US$ 4.700 por onça em meio a tensões globais.

A convergência de regulamentações na Europa e a busca por clareza nos EUA demonstram o amadurecimento do mercado cripto, que agora exige estruturas mais robustas para sua expansão. Embora o Bitcoin enfrente ventos contrários no curto prazo, a institucionalização e a regulamentação podem pavimentar o caminho para uma adoção mais ampla e estável nos próximos anos, transformando os ativos digitais em uma parte fundamental da infraestrutura financeira global.