Um ex-assistente do proprietário do time de futebol Beitar Jerusalém está processando seu dono, Moshe Hogeg e seus sócios, alegando que eles roubaram US$ 250 milhões arrecadados por meio das criptomoedas Stox, Sirin Labs e Leadcoin. As informações são dos The Times of Israel.

Uma ação judicial movida em 25 de maio por funcionários de um fundo de capital de risco israelense alega que três das maiores ofertas iniciais de moedas (ICO) de Israel em 2017 e 2018 eram golpes bem elaborados.

Os três ICOs, lançados pela Sirin Labs, Stx Technologies Limited (Stox) e Leadcoin, coletaram milhões, atraindo  investidores do mundo todo. Contudo, nenhuma das três empresas jamais desenvolveu um produto como haviam prometido aos que apostaram nelas. Segundo o processo, Hogeg e seus sócios descaradamente se apropriaram do dinheiro para uso pessoal.

Uma oferta inicial de moeda é um tipo de arrecadação de fundos usado por startups de blockchain. O investidor recebe um pacote de informações sobre a startup, biografias de seus fundadores e um “white paper” explicando a tecnologia e o plano de negócios com mais detalhes.

Se o investidor ficar impressionado, pode comprar tokens em sua oferta inicial de moedas. Esses tokens geralmente dão a ele acesso ao produto e, se o produto for bem-sucedido, espera-se que os tokens aumentem de valor nos meses seguintes.

Porém, as criptomoedas prometidas nunca foram disponibilizadas. Por isso, Roee Brocial e Eran Okashi, ex-funcionários do fundo de capital de risco Singulariteam, decidiram processar Moshe Hogeg, Adi Sheleg, Ido Sadeh Man, Yaron Shalem, Shmuel Asher Grizim, Avishai Ziv (Sonenriech), além das empresas Singulariteam Holding II e Singulariteam Ltd, pedindo de volta US $ 16,1 milhões.

Em nota oficial, os empresários mencionados negaram as acusações, alegando que o processo é uma tentativa de funcionários descontentes de extorqui-los.

Broncial e Okashi, um dos contadores da Singulariteam, insistem que os réus os enganaram, fazendo-os pensar que os ICOs do Sirin Labs, do Stox e do Leadcoin eram legítimos. Por isso, eles investiram seu próprio dinheiro e convenceram familiares e amigos a investirem nas três startups, tendo sofrido prejuízos financeiros e “traumas psicológicos”

Desconhecido até o início dos anos 2010, Hogeg ficou famoso por atrair investidores famosos para seus empreendimentos, incluindo o bilionário mexicano Carlos Slim, o astro de cinema Leonardo Dicaprio e o oligarca cazaque Kenges Rakishev. Sua empresa mais conhecida é o time de futebol Beitar Jerusalém.

Seus críticos descrevem Hogeg como um “empreendedor fracassado em série” que consegue atrair investidores por meio de boas relações públicas e artigos favoráveis na mídia, além de gastar fortunas com propagandas usando famosos. Ele foi processado várias vezes por investidores de vários empreendimentos que alegaram serem vítimas de fraude. Na maioria dos casos, o israelense fez um acordo com os demandantes, que por sua vez assinaram um acordo de sigilo.

Shmuel Grizim, também réu no processo, é o CEO de uma empresa israelense conhecida como Webydo Systems, além de CEO e fundador da Leadcoin Ltd. Outro acusado de fraude no processo é Avishai Ziv, CEO da Singulariteam.

De acordo com os demandantes, os réus criaram uma série de empresas baseadas em blockchain que quase não tinham atividade real e cujo único propósito era fraudar investidores.  Infelizmente, esse tipo de notícia é recorrente no mundo da criptografia.

Até março 2018, houve um crescimento exponencial das ICO. De lá pra cá o número caiu expressivamente, em consequência da decisão de grandes empresas de tecnologia banirem anúncios de ICO em suas plataformas, como Facebook, Google, Twitter e Mailchimp.

Na verdade, mais de 90% dos projetos lançados por milhares de ICO ao redor do mundo são apenas ‘vaporware’ que não saíram do papel, apontou um levantamento da Coinopsy em julho de 2020. Não havia um produto mínimo desenvolvido (MVP) e seu lançamento estava sempre para o futuro, em média 2 anos de desenvolvimento, até o lançamento. Alguns não tiveram sucesso na arrecadação, mas outros foram pra frente, movimentando bilhões de dólares.