O mercado de fundos imobiliários (FIIs) na B3 experimentou um ano de efervescência em 2025, com o volume de negócios atingindo patamares históricos. Impulsionado por um cenário de juros mais previsíveis e a busca por diversificação, alguns FIIs se destacaram significativamente, concentrando grande parte das movimentações diárias e atraindo a atenção de milhões de investidores brasileiros, como amplamente reportado por veículos como o MSN.

A recuperação gradual da economia e a estabilização da taxa Selic ao longo de 2024 e 2025 foram cruciais para este desempenho. Com retornos mais atrativos em relação à renda fixa, os FIIs se consolidaram como uma opção robusta para quem busca rendimentos periódicos e valorização patrimonial no longo prazo. O setor imobiliário, em particular, mostrou resiliência, adaptando-se às novas demandas de consumo e infraestrutura.

Dados consolidados da B3, divulgados no final de 2025, revelaram que a liquidez e a capilaridade dos fundos foram determinantes para a dominância de certos ativos. A participação de investidores pessoa física continuou crescendo, evidenciando a democratização do acesso a este tipo de investimento, que antes era restrito a grandes players.

A ascensão dos fundos de logística e de recebíveis

Entre os fundos imobiliários que dominaram o volume de negócios em 2025 na B3, destacaram-se os FIIs de logística e os de recebíveis. O setor de logística, impulsionado pelo crescimento contínuo do e-commerce, viu seus galpões e centros de distribuição se tornarem ativos de alta demanda. Fundos como o Hedge Logística FII (HGLG11), por exemplo, registraram um volume médio diário de R$ 35 milhões, segundo relatório da B3 sobre o mercado de FIIs em 2025. A expansão das operações de varejo online exigiu mais espaço para armazenamento e distribuição eficiente, valorizando os imóveis e os rendimentos de seus cotistas.

Paralelamente, os FIIs de recebíveis imobiliários, conhecidos por sua capacidade de gerar rendimentos consistentes e descorrelação com o mercado de tijolo, também figuraram entre os mais negociados. O Maxi Renda FII (MXRF11) e o Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11), por exemplo, mantiveram uma posição de destaque, com volumes diários que frequentemente superavam os R$ 30 milhões. A previsibilidade de seus fluxos de caixa, atrelados a Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) com taxas atrativas, atraiu investidores em busca de menor volatilidade e dividendos mensais. A diversificação de carteira desses fundos, que abrangem diferentes setores e prazas, também contribuiu para sua resiliência e popularidade.

Liquidez e estratégia: o perfil dos líderes de mercado

A dominância de certos fundos em volume de negócios não se deu apenas pela atratividade de seus setores, mas também pela sua liquidez e pela gestão estratégica. Fundos com grande número de cotistas e alta pulverização facilitam a compra e venda de cotas, tornando-os mais dinâmicos no pregão da B3. Essa característica é fundamental para investidores que buscam flexibilidade e a capacidade de entrar e sair de posições sem grandes impactos no preço.

Além dos gigantes de logística e recebíveis, fundos de shopping centers e lajes corporativas com portfólios bem diversificados e localizações premium também demonstraram forte desempenho. O XP Malls FII (XPML11), por exemplo, se beneficiou da retomada do consumo presencial, registrando volumes expressivos e valorização de suas cotas em 2025. A gestão ativa, a transparência na comunicação e a capacidade de adaptação às mudanças do mercado foram fatores que diferenciaram esses líderes, conforme análise da InfoMoney sobre o desempenho dos FIIs.

A confiança dos investidores foi reforçada pela robustez dos relatórios gerenciais e pela atuação de gestoras experientes, que souberam navegar pelas particularidades do mercado imobiliário brasileiro. A combinação de boa governança, ativos de qualidade e uma estratégia de comunicação eficaz garantiu que esses fundos não apenas gerassem valor, mas também mantivessem a atenção e o capital dos cotistas.

O ano de 2025 consolidou a relevância dos fundos imobiliários como um pilar de investimento na B3. A dominância de FIIs de logística e recebíveis no volume de negócios reflete tendências macroeconômicas e o amadurecimento do mercado. Para o futuro, a expectativa é de que a busca por ativos com liquidez e rendimentos consistentes continue moldando o cenário, com as gestoras se adaptando para oferecer produtos cada vez mais alinhados às necessidades de um público investidor mais informado e exigente. A diversificação e a análise criteriosa dos portfólios permanecerão como elementos-chave para o sucesso neste segmento.