As ações da CleanSpark e da Bitfarms, outrora conhecidas primariamente pela mineração de Bitcoin, registraram um rali significativo. Este movimento reflete a transição estratégica das empresas para o mercado de computação de alto desempenho (HPC) e inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos. A diversificação busca capitalizar a crescente demanda por infraestrutura de IA, aproveitando suas robustas capacidades energéticas e de data centers.

Analistas de mercado observam que a mudança representa uma evolução estratégica para além da mineração de criptomoedas, visando otimizar a infraestrutura existente e gerar novas fontes de receita. A expectativa é que essa guinada crie fluxos de caixa estáveis e fortaleça o valor de longo prazo para os acionistas.

O cenário atual é impulsionado pelo aumento exponencial na demanda por capacidade de processamento para aplicações de IA, o que posiciona empresas com infraestrutura energética e de data centers como players cruciais. Mineradoras de Bitcoin, com sua expertise em gerenciar instalações de computação intensiva, encontram-se em uma posição vantajosa para atender a essa nova necessidade.

A estratégia da CleanSpark no epicentro da inteligência artificial

A CleanSpark, uma das maiores mineradoras de Bitcoin da América, tem demonstrado um crescimento notável, com um aumento de 102% na receita nos últimos doze meses, totalizando US$ 766,31 milhões. A empresa está expandindo suas operações para data centers de HPC e IA, buscando otimizar sua infraestrutura e diversificar suas fontes de receita.

Em janeiro de 2026, a CleanSpark anunciou um acordo definitivo para adquirir até 447 acres de terra no Condado de Brazoria, Texas, e um contrato de extensão de instalações de transmissão de longo prazo. Essa aquisição posiciona a empresa para desenvolver um projeto de data center em larga escala com capacidade de carga de 300 MW, com potencial para expansão adicional de até 300 MW, totalizando 600 MW.

Essa é a segunda iniciativa estratégica de desenvolvimento da CleanSpark na região metropolitana de Houston, no Texas, estabelecendo um hub regional de energia e infraestrutura com mais de 890 megawatts de capacidade potencial agregada. Matt Schultz, CEO da CleanSpark, destacou que a demanda por computação nativa de IA em escala continua a acelerar, e o acesso a energia em regiões estrategicamente vantajosas tornou-se cada vez mais restrito.

A CleanSpark nomeou Jeffrey Thomas como Vice-Presidente Sênior de Data Centers de IA, um veterano com mais de 40 anos de experiência em tecnologias emergentes e desenvolvimento de data centers. A empresa planeja alavancar seu modelo “infrastructure-first” para suportar a computação de IA em larga escala.

Bitfarms: do Bitcoin à infraestrutura de HPC/IA

A Bitfarms, uma empresa norte-americana de energia e infraestrutura digital, também está em um processo de transformação. A empresa detalhou sua estratégia de transição da mineração de Bitcoin para a infraestrutura de data centers de HPC e IA, enfatizando o valor crescente da energia e das instalações construídas para esse fim.

A companhia planeja focar o desenvolvimento em Sherbrooke (96 MW) e avaliar uma possível estratégia de nuvem em 2027. Além disso, a Bitfarms assinou um acordo de US$ 128 milhões para converter sua instalação de mineração de Bitcoin de 18 MW no estado de Washington para suportar cargas de trabalho de HPC/IA, com conclusão prevista para dezembro de 2026.

A Bitfarms também anunciou uma transição na presidência do conselho em antecipação à sua redomiciliação nos Estados Unidos, um movimento esperado para aumentar o acesso a capital e ampliar sua base de investidores no país. Liam Wilson, Diretor de Operações da Bitfarms, ressaltou que a infraestrutura é um fator limitante no crescimento da IA, não o capital ou a produção de semicondutores.

A empresa busca otimizar as taxas e margens, priorizando o desenvolvimento de infraestrutura e projetando suas instalações para as GPUs de próxima geração da NVIDIA. A venda de seu site no Paraguai, por até US$ 30 milhões, liberou capital para impulsionar a expansão na América do Norte, onde possui um pipeline de projetos de 2,1 gigawatts.

A demanda por centros de dados de IA deve crescer a uma taxa composta anual de 26,8% nos próximos seis anos, atingindo US$ 93,6 bilhões até 2032. Nesse contexto, a CleanSpark e a Bitfarms, com suas infraestruturas robustas e estratégias de diversificação, buscam posicionar-se como líderes na era da inteligência artificial.