Um homem de Utah, Brian Garry Sewell, de 54 anos, foi sentenciado a três anos de prisão federal por seu envolvimento em um esquema de fraude com criptomoedas e por operar um negócio de transmissão de dinheiro sem licença. A condenação, anunciada em 15 de janeiro de 2026, resulta de acusações de fraude eletrônica que causaram perdas de mais de US$ 2,9 milhões a investidores, além de uma operação de conversão de dinheiro em espécie para criptomoedas que movimentou mais de US$ 5,4 milhões.
Sewell, residente do Condado de Washington, Utah, declarou-se culpado pelas acusações. Além da pena de 36 meses de prisão, ele cumprirá 36 meses de liberdade supervisionada e foi ordenado a pagar mais de US$ 3,6 milhões em restituição às vítimas, incluindo investidores, credores hipotecários e cooperativas de crédito. O Departamento de Segurança Interna dos EUA também receberá US$ 217.727 em restituição.
Este caso ressalta a crescente vigilância das autoridades federais dos EUA sobre atividades ilícitas no espaço das moedas digitais. A fraude de Sewell, que se estendeu de dezembro de 2017 a abril de 2024, envolveu a falsificação de credenciais e a promessa de retornos exorbitantes a pelo menos 17 investidores, para um fundo de hedge que nunca se materializou.
O esquema de conversão de dinheiro em criptomoedas
Paralelamente à fraude de investimento, Brian Garry Sewell operou a Rockwell Capital Management entre março e setembro de 2020 como um negócio de transmissão de dinheiro não licenciado. Por meio dessa empresa, ele converteu mais de US$ 5,4 milhões em dinheiro em espécie para criptomoedas em nome de terceiros. As autoridades revelaram que esses clientes incluíam criminosos envolvidos em fraude e tráfico de drogas, o que facilitou a lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas.
A falta de registro da Rockwell Capital Management violou as leis federais destinadas a prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento de atividades criminosas. Este tipo de esquema, conhecido como “cash-to-crypto”, oferece um caminho para a opacificação da origem dos fundos, aproveitando-se da pseudonimidade que as criptomoedas podem oferecer quando não há devida diligência. A investigação, que durou quase cinco anos e foi liderada pelo Escritório de Campo do FBI em Salt Lake City, destaca a complexidade e o tempo necessários para desvendar essas operações.
Implicações regulatórias e a luta contra a fraude cripto
A condenação de Sewell é um lembrete contundente dos riscos inerentes ao mercado de criptomoedas e da necessidade urgente de regulamentação robusta. A indústria cripto, embora inovadora, continua sendo um terreno fértil para golpes e manipulações, dada a sua relativa juventude e a complexidade tecnológica.
No cenário regulatório, os Estados Unidos têm intensificado os esforços para combater crimes financeiros envolvendo ativos digitais. Projetos de lei como a “Digital Asset Anti-Money Laundering Act” buscam impor regras de verificação de identidade (KYC) e proibir transações com “mixers” de criptomoedas, que obscurecem a origem dos fundos. Tais iniciativas visam fortalecer a atuação estatal na responsabilização de criminosos e proteger os investidores, garantindo maior transparência e integridade no mercado.
O caso de Brian Garry Sewell serve como um alerta para investidores e reguladores sobre os perigos da fraude cripto e a sofisticação dos esquemas ilícitos. À medida que o mercado de ativos digitais amadurece, a colaboração entre agências de aplicação da lei e a implementação de marcos regulatórios claros serão cruciais para mitigar riscos e construir um ecossistema financeiro mais seguro e confiável. A notícia original sobre a sentença foi reportada por www.theblock.co, evidenciando a atenção que o setor tem recebido da mídia especializada.











